Georreferenciamento é útil para definir estratégias de gestão escolar

De acordo com especialistas, sistema otimiza oferta de vagas e contribui para planejar a construção de escolas, mas precisa ser bem aplicado

A educação é direito de todos e dever do Estado e da família, segundo consta no artigo 205 da Constituição Federal. Mas é importante que esse direito seja exercido de forma plena e com qualidade. O sistema de georreferenciamento, que contribui para encaminhar os alunos da rede pública à escola mais próxima de sua casa, por meio do mapeamento de escolas e residências, pode ser uma ferramenta de gestão importante para a educação, segundo o professor Carlos Eduardo Sanches, ex-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e integrante do Conselho Estadual de Educação do Paraná, estado pioneiro na adoção do georreferenciamento. O mapeamento de escolas e residências é realizado através do endereço impresso na conta de energia elétrica, sendo que os postes de luz são georreferenciados. O sistema já foi implantado em 65 municípios do Paraná e será estendido às demais localidades nos próximos anos, de acordo com a Secretaria de Educação do Estado.

“O sistema ainda não é regulamentado, é uma iniciativa de alguns estados. Além do Paraná, sei que é adotado no Espírito Santo e em Santa Catarina. O georrefenciamento otimiza a oferta de vagas, os recursos públicos e a vida do aluno. Algumas escolas têm vagas ociosas, e outras estão lotadas, e o sistema ajuda a melhorar essa situação. No meio rural, ele contribui para planejar o melhor lugar para construção de escolas. As unidades do campo estão acabando, colocam as crianças em ônibus e mandam para a cidade. Isso não é bom nem para o campo, nem para os alunos, que são retirados de suas realidades”, ressalta Sanches.

Mas, e se a escola perto da casa do aluno não for boa e os pais quiserem colocá-lo em outra instituição de ensino? O georreferenciamento não impede a mobilidade dos estudantes nesse caso? Para Sanches, alcança melhor resultado quem trabalha em rede. “Não podem existir ilhas de referência, isso denota falta de planejamento. Temos que respeitar o direito da criança de forma coletiva e individual. É a escola que precisa melhorar”, explica.

O professor Mozart Neves Ramos, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE) e presidente da ONG Todos pela Educação, também acredita que o sistema de georrefenciamento pode ser um instrumento útil para definir estratégias de gestão escolar, se bem aplicado. “Adotei o georreferenciamento quando fui secretário de Educação em Pernambuco, entre 2003 e 2006, tanto para a logística de transporte quanto para a construção de escolas no campo. Não é simples levantar escolas ou resolver a questão do transporte, e o sistema ajuda”, diz..

Para Mozart, a mobilidade dos alunos não pode estar condicionada ao fato de a escola ser boa ou ruim. “Se a instituição escolar está com problemas, precisa de mais atenção e subsídios. Se a escola não é boa, não é para ninguém. Não ser assim contraria a Constituição, onde está escrito que todos têm direito à educação, temos é que lutar pela qualidade desse serviço”, completa.

Fonte: Rede Globo.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Subscribe: Entries | Comments

Copyright © GEOeasy – Geotecnologias & Meio Ambiente 2014 | GEOeasy – Geotecnologias & Meio Ambiente is proudly powered by WordPress and Ani World.