Mudança de paradigma no mercado de crédito de carbono

A preocupação com o meio ambiente levou os países da Organização das Nações Unidas a assinarem um acordo que estipulasse controle sobre as intervenções humanas no clima. Este acordo nasceu em dezembro de 1999 com a assinatura do Protocolo de Kyoto. Os países desenvolvidos signatários devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2%, em média, relativas ao ano de 1990, entre 2008 e 2012. Esse período é conhecido como primeiro período de compromisso. Para não comprometer as economias desses países, o protocolo estabeleceu que parte desta redução possa ser através da compra crédito de carbono.

Os créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE) são certificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de Carbono Equivalente.

O atual paradigma é que o vendedor comercialize a diferença entre o seu compromisso de redução e sua redução efetiva. Em países com grandes áreas de florestas é possível o vendedor comercializar a garantia que não desmatará sua área para outros fins.

Entretanto, a prática de crédito de carbono não cobre tecnologias que possam sequestrar o carbono da natureza. O ato de retirar o carbono da atmosfera tem o mesmo efeito de reduzir sua produção. Desta forma, deveria ser possível pessoas ou empresas que executam práticas de sequestro de carbono poderem vender créditos.

Uma pesquisa conduzida pelo professor do departamento de Genética Juarez Gabardo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da Monsanto e parceria com a Universidade de Auburn, no Alabama (EUA), tem mostrado que o melhoramento genético em plantas pode contribuir a mitigação do dióxido de carbono (CO2) atmosférico. Vista como uma das responsáveis pelo aumento do efeito estufa pela elevada emissão de gases, principalmente o dióxido de carbono (CO2), a agricultura pode atuar como acumuladora de carbono, de acordo com a pesquisa, desde que siga o caminho da precisão, aplicando a inovação tecnológica desenvolvida em laboratórios e acessível aos agricultores.

Segundo Daniela Calazans, gerente de originação da empresa Ecosecurities. “Por enquanto, não há metodologias que tratem da questão do sequestro de carbono no solo. Para isso, seria necessária uma alteração das regras pela conferência das partes do Protocolo de Kyoto”, finaliza Daniela, que trabalha com o desenvolvimento de projetos MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).

Uma proposta de inovação seria a criação de uma linha de pesquisa para desenvolver uma metodologia para medir com exatidão o volume de sequestro de carbono de plantas geneticamente modificadas e patenteadas. Essa metodologia patenteada associada com um novo modelo de negócio com agricultores poderia gerar um novo e lucrativo negócio.

Fonte: efagundes.com.

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