Estudo atualiza localização das cadeias produtivas de MS

A localização espacial das principais cadeias produtivas de Mato Grosso do Sul, com mapeamento de uso e cobertura do solo no Estado, está sendo apresentado em 14 municípios. Os dados fazem parte do projeto Sistemas de Informações Geográficas do Agronegócio do Estado (SIGA-MS), desenvolvido pela Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) e Associação de Produtores de Soja do Estado (Aprosoja/MS), com apoio da Secretaria Estadual de Produção e Turismo (Seprotur).

O município de Chapadão do Sul sediou a reunião de apresentação com a participação de produtores rurais, técnicos das prefeituras municipais e do IBGE, além de representantes de cooperativas e assistências técnicas. Até setembro, o estudo será levado aos municípios de Rio Brilhante, Nova Alvorada, Dourados, Itaporã, Laguna Caarapã, Ponta Porã, Aral Moreira, Amambaí, Naviraí, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia e Maracaju.

De acordo com Leonardo Carlotto Portalete, engenheiro agrônomo da Unidade Técnica da Famasul, as cadeias contempladas no estudo são soja, milho, algodão, florestas, cana-de-açúcar e pastagem. “O objetivo é conhecer melhor a distribuição e evolução de cada cultura e, com isso, subsidiar o produtor rural, lideranças políticas e setor empresarial com informações relevantes para tomada de decisão quanto à investimentos”, complementa Carlotto.

Fonte: Jornal Agora MS.

Tecnologia agiliza processo de elaboração de mapas

Mapeamento Digital de Solos ajuda pedólogos, diminuindo o tempo e o custo necessário para se elaborar um mapa

A aplicação de tecnologias pode reduzir o tempo e os recursos utilizados na obtenção de mapas de solos, por meio de técnicas de Mapeamento Digital de Solos (MDS). A conclusão é de um estudo que comparou os mapas obtidos pelos métodos convencional e digital, realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pelo engenheiro agrônomo Osmar Bazaglia Filho.

A área analisada foi uma fazenda de 182 hectares cultivados com cana-de-açúcar, no município de Rafard, região de Piracicaba. Bazaglia se baseou em dados de pesquisas anteriores e do próprio estudo para passar informações da região para os pedólogos, cientistas do solo que produzem mapas pelo método convencional. “A área foi escolhida por não apresentar uma grande variação no solo, dando condições de comparar os mapas gerados”, diz.

Bazaglia pediu para que quatro pedólogos diferentes produzissem mapas de solo de nível detalhado (escala 1:10.000) da fazenda. “Levei-os um a um, individualmente, à área e forneci as mesmas informações a todos”. As informações dadas consistiam em fotografias aéreas coloridas e mapa planialtimétrico da área (ambos escala 1:10.000) e mapa geológico e de solos da região.

O pedólogo e a tecnologia
O mapeamento digital se baseia em uma correlação de dados, em geral gratuitos ou de baixo custo — imagens de satélite da área quando seu solo estava exposto (sem vegetação), a declividade do terreno, o perfil de curvatura, dentre outros, que foram jogados em uma classificação — que geram padrões e a partir destes padrões se pode construir um mapa digital.

O Brasil é carente em informações detalhadas a respeito dos solos, e vem enfrentando dificuldades na obtenção de novos levantamentos, sendo um dos motivos a falta de investimentos governamentais nessa área. Isso torna atrativa a estratégia de mapeamento digital de solos. “A grande atratividade desta técnica está no menor custo e tempo de execução quando comparada aos métodos convencionais. O processo é mais rápido e barato quanto utilizamos o máximo de tecnologia disponível, porque ela auxilia o trabalho humano do pedólogo. A qualidade dos mapas ficou muito próxima, mas ainda maior do que eu esperava. Acreditamos que isso aconteceu porque a área era muito complexa e exigia um grande detalhamento”, explica.

“A similaridade entre os mapas foi relativamente baixa quanto à classificação dos solos, ou seja, os nomes que eles receberam nas duas classificações. No entanto, observou-se grande concordância com relação a diversas características do solos (textura, cor, entre outros), importantes para orientar o seu manejo. Acredita-se que isso tenha ocorrido porque a área é muito complexa em termos de solos, o que aumentou enormemente as chances de ocorrer divergências.”

Para comparar os mapas, Bazaglia analisou as similaridades dois a dois, para verificar os pontos em que eram semelhantes e os pontos em que divergiam. Foi gerada uma matriz de erros, que deixava mais claro as diferenças entre os mapas e as concordâncias entre os mapas.

Ele observou que, quanto maior o detalhamento dos mapas, menor a correspondência entre os modelos convencionais e digitais. Além disso, o método utilizado pelo pedólogo também influencia no mapa gerado, devido às diferenças nos conhecimentos de cada um . “Existe a necessidade de uniformizar o trabalho das pessoas que estão catalogando a área, pois com um método único, quaisquer mapas gerados podem ser considerados para estudo e não é preciso se atentar para o método que foi utilizado na sua elaboração. É preciso mais uniformidade entre os mapas gerados”, diz o engenheiro agrônomo.

Os mapas digitais são interessantes pois podem ajudar na uniformização dos procedimentos, mas Bazaglia ressalta que o trabalho do pedólogo é indispensável. “A tecnologia pode diminuir os gastos e facilitar as análises de solo e o trabalho de campo, melhorando o produto final, mas é essencial um profissional capacitado para a elaboração do mapa”, conclui.

Fonte: Exame.com.

Especialistas discutem geotecnologias em Sergipe no 6º Geonordeste

Especialistas em geoprocessamento, sensoriamento remoto e áreas afins do Nordeste se reúnem em Aracaju de 26 a 30 de novembro para a sexta edição do Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto (Geonordeste).

O 6º Geonordeste é um evento técnico-científico bienal promovido pela Rede Sergipe de Geotecnologias (Resgeo), e é o principal ponto de convergência de estudiosos da região para discutir os avanços das geotecnologias e promover a troca de experiências profissionais.

Realizado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), o 6º Geonordeste pretende abordar o impacto das geotecnologias na sociedade da informação com o tema “Geotecnologias: socialização e sustentabilidade”.

O objetivo do simpósio é fortalecer a discussão sobre como a sociedade é influenciada pelas geotecnologias e, reciprocamente, como os usuários da Internet estão provocando uma revolução na produção, consumo e apropriação de conhecimento geocientífico sobre a realidade do ambiente em que vivem. Essa condição é essencial para a legitimação da sustentabilidade ambiental preconizada nas agendas internacionais.

A edição deste ano acontece no Hotel Mercure Aracaju, e marca os dez anos desde a realização do primeiro Geonordeste. De acordo com o vice-presidente do evento, o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Julio Amorim, são esperados cerca de 600 participantes, entre pesquisadores, professores, estudantes e profissionais das áreas de agronomia, biologia, cartografia, geografia, geologia e engenharias em geral da Região Nordeste e demais regiões do Brasil.

Inscrições
As inscrições podem ser feitas pela Internet, com formulário disponível em www.vigeonordeste.com.br. Após o preenchimento, basta seguir as instruções para a impressão da fatura e pagamento na rede bancária.

Para inscrição por meio de boleto bancário, basta preencher a ficha disponível no site, efetuar depósito na conta-corrente 1465-4, operação 003, agência 2382, Caixa Econômica Federal, e enviar ficha e comprovante de depósito através do fax (79) 3243-0537. Até 30 de setembro, os valores vão de R$ 80 para estudantes de nível médio a R$ 250 para profissionais. Os preços sofrerão reajustes em 1º de outubro e 18 de novembro.

Submissão de trabalhos
O prazo para submissão de trabalhos vai até o dia 20 de agosto. A taxa de inscrição dá direito à submissão de até três trabalhos, além de crachá, pasta, caneta, certificados e publicação de trabalhos aceitos nos anais do evento.

Fonte: Cenário MT.

Capacitação em GPS dinamiza a pesquisa agroflorestal no Amapá

O software de mapeamento GPS é uma ferramenta importante para diversas atividades, e tornou-se essencial para quem trabalha com manejo florestal. A Embrapa Amapá, por meio do Projeto Florestam, realiza nesta sexta-feira, 3, e sábado, 4, o curso “ Teoria e prática sobre o uso do GPS”, na foz do Mazagão Velho, Igarapé Grande (Mazagão, AP), dirigido aos integrantes do projeto, entre técnicos, pesquisadores e acadêmicos de graduação e pós-graduação. Ministrado em um barco, o curso tem como objetivo capacitar cerca de 20 pessoas na utilização do GPS. “A introdução deste instrumento nos projetos florestais fez com que métodos antigos como o desenho de mapas fossem abandonados. Com isso, as informações são mapeadas de forma mais precisa e rápida”, afirma o pesquisador Marcelino Carneiro Guedes, coordenador do curso.

Esta capacitação tem como instrutora a geógrafa Kerly Araújo Jardim, graduada pela Universidade Federal do Amapá. Atualmente, ela desenvolve atividades no Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) como bolsista do programa de Ciência e Tecnologia do Petrólio (CTPETRO). O conteúdo programático do curso consta de noções básicas de cartografia, funcionamento e funções básicas do GPS, e aulas práticas com coleta de dados em campos com GPS, exportação dos dados de campo para serem visualizados em programas específicos e utilizados durante o curso, e programas gratuitos que possuem interface do GPS com o computador.

A rede de pesquisas Projeto Florestam, coordenado pela Embrapa Amapá, tem como objetivo conhecer a ecologia e o funcionamento das áreas ribeirinhas, os estoques de madeira e produtos não madeireiros, para ajudar no desenvolvimento de técnicas de manejo e monitoramento da sustentabilidade da produção. Foi iniciado em fevereiro de 2010 e tem duração de três anos. São parceiros do Florestam mais de 15 instituições, sendo quatro universidades: Universidade Federal do Amapá (Unifap), Universidade do Estado do Amapá (Ueap), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Esalq/ Universidade de São Paulo (USP); quatro instituições governamentais do Amapá: Instituto Estadual de Florestas (Ief), Cadima, Iepa; a ong Instituto Gurupá; três centros de pesquisa da Embrapa (Amapá, Pará e Acre) e as associações da região de estudo Aaflomara, Aaflomaza e Astexma.

Fonte: Corrêa Neto.

Geotecnologia monitora produção agrícola

“Geotecnologias aplicadas ao monitoramento da agricultura brasileira” foi o tema da palestra do pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Alexandre Coutinho, no 41º Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola (CONBEA) e 10º Congreso Latinoamericano y Del Caribe de Ingeniería Agrícola (CLIA), encerrados nesta quinta-feira, dia 19

A Embrapa Informática, juntamente com uma rede de pesquisadores, desenvolve metodologia para uso de imagens de satélite em alta resolução temporal, que são produzidas diariamente. “Estão sendo mapeadas, por meio das imagens de satélite, cinco culturas (soja, milho, trigo, algodão e cana-de-açúcar) em todo o Brasil. Estas imagens são gratuitas e disponibilizadas pela NASA”, explica o pesquisador.

Compõem a rede de pesquisadores a Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Goiás (UFG), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e demais unidades da Embrapa.

O projeto, que teve início em setembro de 2011 e seguirá até agosto de 2014, tem por objetivo identificar o comportamento das culturas no campo ao longo do ano agrícola para implementar um sistema de gestão territorial da agricultura nacional.

Segundo ele, graças à tecnologia, foi possível verificar, por exemplo, que o aumento na produção de grãos em Mato Grosso ocorreu devido ao aumento de cultivo de safrinha e, até mesmo, que a área com floresta também teve crescimento.

Os organizadores do CLIA/CONBEA são a Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA), Asociación Latinoamericana y del Caribe de Ingeniería Agrícola (ALIA), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e EMATER. Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Londrina Convention & Visitors Bureau são os apoiadores.

Fonte: Portal do Agronegócio.

Solo produzido por índios da Amazônia pode frear efeito estufa

Um grupo de agrônomos liderados pelo professor José Marques Júnior, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), Câmpus de Jaboticabal, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriu oito sítios de terra preta de índio ou terra preta arqueológica no Arco do Desmatamento, uma região da Amazônia Legal que vai do Acre ao Maranhão.

Segundo o pesquisador, a terra preta de índio, também conhecida por carbono biológico (ou biochar, em inglês) é obtida a partir da queima de biomassa – resíduos de vegetais e animais – pelo método da pirólise, isto é, combustão em elevada temperatura sem oxigênio. A descoberta foi feita durante a coleta de amostras de solo para um estudo de aptidão agrícola no sul do Estado do Amazonas, pelo Grupo de Pesquisa Caracterização do Solo para Fins de Manejo Específico, coordenado por Marques Jr. (leia ao final da matéria).

Marques Jr. explica que esse produto reúne significativos teores de nutrientes de plantas, principalmente cálcio, fósforo e carbono orgânico. Por ser formada na ausência do oxigênio, essa cadeia química torna-se difícil de ser decomposta por microrganismos, razão pela qual o carbono apresenta elevada estabilidade no solo. Essa permanência do carbono orgânico na terra resulta na diminuição de pelo menos 25% do impacto da atividade agrícola no lançamento de gás carbônico (CO2) para a atmosfera.

O biochar tem também um mecanismo que mantém a fertilidade do solo. “Em linguagem comum, o carbono estável libera nutrientes em proporções adequadas no decorrer das atividades agrícolas”, esclarece o pesquisador. E mais: análises baseadas no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) indicaram tratar-se de terra resistente à compactação, ou seja, com boa estrutura para manter culturas variadas.

Herança indígena
Não se sabe ao certo a origem do biochar. Uma explicação possível é a de que ele teria se formado com o costume dos povos pré-colombianos de atear fogo aos seus resíduos orgânicos, inclusive utensílios cerâmicos.

O material encontrado em seis áreas particulares nos arredores do município de Humaitá e duas no km 180 da Transamazônica, em Santo Antonio do Matopi, representa “uma dádiva do índio amazonense à agricultura, por seu potencial para combater a infertilidade do solo da região”, de acordo com Marques. Para ele, o achado pode levar à compreensão da gênese e evolução desse produto, por meio do estudo de seus atributos físicos, químicos e mineralógicos.

O professor diz que o biochar desperta o interesse mundial pelo benefício que pode trazer para a agricultura, a partir do domínio de sua técnica. Uma possibilidade seria sua produção em larga escala como fertilizante e para sequestro de carbono e outros gases do efeito estufa, retendo-os assim no solo. “Não deixa de ser curioso encontrar nesse legado ancestral a inovação para as práticas agrícolas contemporâneas”, conclui Marques Jr.

Uso racional do solo
O estudo de aptidão agrícola no Arco do Desmatamento é uma parceria entre a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), Câmpus de Jaboticabal, e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Câmpus de Humaitá, para identificar o impacto no solo da conversão da floresta em fazendas para exploração agropecuária. O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e deve ser concluído em 2012.

A equipe espera fornecer informações para auxiliar no planejamento estratégico de uso do solo dos campos naturais na região Amazônica.

O agrônomo José Marques Jr., professor do Departamento de Solos e Adubos da FCAV, coordena o Grupo de Pesquisa Caracterização do Solo para Fins de Manejo Específico (CSME) – www.csme.com.br -, que congrega pesquisadores de diversos departamentos da unidade. Atuando em diferentes áreas do conhecimento, o grupo busca desenvolver e divulgar novas tecnologias que atendam requisitos do desenvolvimento sustentável.

Para isso faz uso da multidisciplinaridade para encontrar soluções práticas com base em ciência básica. Pela sua atuação no setor, em agosto, Marques Jr. foi indicado diretor da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS).

Fonte: Agrosoft.

O chão exige muito cuidado

Na construção de imóvel, um engenheiro florestal, agrônomo ou geólogo bom são tão importantes quanto uma equipe qualificada de engenheiros civis e de arquitetos
Marcos Paulo considera indispensável verificar previamente o solo na construção de empreendimentos de qualquer tamanho
Ao término de uma obra bem-sucedida, o resultado do trabalho, normalmente, é creditado aos arquitetos, engenheiros e, quando muito, aos operários. No entanto, profissionais de outras áreas participam do processo com a mesma importância de quem desenha a planta e executa o projeto. Há uma área da construção civil que pode até não ser notada, mas produz resultados imprescindíveis: a análise ambiental.

Neste meio estão inclusos pesquisas e estudos detalhados sobre diversos fatores e resultados ligados ao impacto causado pela obra no meio ambiente. Dentre eles, a análise do solo torna-se fundamental para que a construção civil não traga desdobramentos inesperados para a sociedade e, logicamente, para a natureza. Afinal, o chão é a base sobre a qual o projeto será erguido.

O solo é um material de construção natural, produzido ao longo dos tempos, que se apresenta sob diversas formas. Do ponto de vista puramente técnico, aplica-se o termo solo a materiais da crosta terrestre que servem de suporte à construção. Tais materiais reagem sob as fundações e sofrem deformações, influenciando as obras segundo suas propriedades e seu comportamento. Aí nasce a importância da análise.

O engenheiro florestal e técnico em geoprocessamento Marcos Paulo Ribeiro Kern, da Ecotech Consultoria Ambiental, destaca que verificar previamente o solo é indispensável para obras de qualquer tamanho. “Para as de pequeno porte e de caráter passageiro, muitas vezes a avaliação primária já identifica se é possível ou não construir naquela área. Em construções de casas e obras que não transferem muita carga para o solo, a análise não é imprescindível, mas recomendada para garantir a estabilidade de qualquer empreendimento”, destaca.

Grandes obras
As grandes obras são atividades de maior cobrança e aos envolvidos atribui-se responsabilidade maior. Marcos Paulo ressalva que, para empreendimentos maiores, é de suma importância avaliar a qualidade do solo e sua resistência, pois este deverá suportar uma enorme transferência de carga sem romper ou escoar.

Marcos explica o processo e os riscos de uma análise mal feita ou não realizada. “No solo as estacas são cravadas para dar sustentação a toda a obra. É o receptor final da carga dividida por elas, que nas obras maiores são chamadas fundações. Não analisá-lo traz um risco muito grande e o esforço que ele requer para suportar cargas, somado às variações de umidade que suporta, precisa ser avaliado sempre. Deve-se conhecer bem os limites de resistência do solo e a que ponto de umidade ele perde sua resistência”, resume.

Ele ressalva a importância de se observar a inclinação dos terrenos. “Solos de encostas tendem a escorregar ao perder resistência. Já em locais planos eles tendem a ceder. Isso acontece devido à má impermeabilização e compactação que permitem à água ocupar os espaços vazios do solo, aumentando sua umidade e tornando-o menos resistente”.

Neuza Tavares, 46 anos, tem um prédio com 14 salas, construído em 1996, em Taguatinga Sul. Na época, ouviu da empresa de engenharia contratada que a construção de três andares poderia afetar o córrego Cortado e o solo de regiões próximas. Com o laudo em mãos, foi atrás de especialista em recursos hídricos.

Falta da análise causou desabamento
Dickran acha alto o custo-benefício da análise do solo
A análise do solo é essencial antes de uma obra de qualquer dimensão. Um caso recente que ficou nacionalmente conhecido aconteceu em uma obra do governo federal: o desabamento do teto do túnel Cuncas I, localizado entre a Paraíba e o Ceará, o qual integra as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste relativas à transposição do rio São Francisco.

O incidente ocorreu no último mês de abril em Fortaleza e provocou a publicação, por parte do Ministério de Integração Nacional, de uma nota de esclarecimento na qual o órgão dizia que o solo possui consistência não uniforme nos arredores do desabamento. O governo garantiu que a análise do solo foi previamente realizada.

Dickran Berberian, engenheiro, professor da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da empresa Infrasolo, estabelece uma ligação interessante que ajuda a entender a importância da análise do solo.

“As chamadas sondagens de terreno estão hoje para a engenharia na mesma proporção que os exames clínicos preliminares apresentam-se para a medicina. Da mesma forma que um médico não opera o paciente sem examiná-lo, não deve haver obra sem sondagem”, compara.

O professor lembra que a relação custo-benefício da análise do solo é alta, pois a falta desta etapa em um processo de construção aumenta o nível de instabilidade da obra. “Deve-se realizar os furos de sondagem na proporção de um furo para cada 200 m² de área de projeção para que se avalie corretamente a estabilidade das escavações”, resume.

Agricultura de precisão chega às propriedades de porte médio

Com equipamentos sofisticados, produtores gerenciam as lavouras e reduzem os custos com insumos
Máquinas equipadas com tecnologias como o geoposicionamento via satélite (GPS) facilitam a produção agrícolaNuma manhã quente em Ipiranga, Paraná, uma colheitadeira realiza o plantio de aveia na Fazenda Suruvi. A máquina vai e volta pela propriedade dos agricultores Celso Kossatz e seu filho Cássio, mas não faz o plantio duas vezes no mesmo lugar e distribui uniformemente as sementes da cultivar.

Equipada com tecnologia de geoposicionamento via satélite (GPS) e uma série de ferramentas que orientam as várias etapas da produção agrícola, a colheitadeira acabou se tornando um acessório essencial ao trabalho do agricultor. A agricultura de precisão, tecnologia que proporciona economia no uso de insumos agrícolas e até mesmo no tempo de trabalho, já chegou às médias propriedades e têm crescido no mercado rural.

Com equipamentos que atuam de forma integrada, desde o trabalho no solo até o plantio e a colheita, a tecnologia desponta como uma das grandes apostas da Case IH, fabricante de máquinas agrícolas. “O mercado de agricultura de precisão é um caminho sem volta, e o fator custo-benefício figura como principal motivo para que uma grande parcela de agricultores busque novas tecnologias para plantio”, explica Mariana Camargo, comercial de pós-vendas para agricultura de precisão da empresa.

Engenheiro agrônomo, o produtor Cássio Kossatz viu seu trabalho se transformar há 7 anos, quando começou a utilizar os primeiros equipamentos. Dois anos atrás, ele adquiriu um piloto automático com sistema hidráulico, que dispensa a embreagem e é guiado via satélite. Além disso, outro equipamento é utilizado para orientar o direcionamento das máquinas agrícolas e aplicar os defensivos em taxas variáveis: a barra de luz, que é acoplada ao monitor e trabalha junto com o piloto automático para uma operação sem falhas ou sobreposição de áreas.
Com equipamentos que atuam de forma integrada, a tecnologia é uma das grandes apostas da Case IH

Com o uso de um software que mapeia a colheita e gera dados de produtividade, Cássio conseguiu diagnosticar as regiões onde o solo carecia de mais adubos e reduziu o uso de insumos em 60% no primeiro ano em que fez a amostragem. A economia foi de 20% no uso de calcário, 40% no uso de fósforo e até 100% de cloreto de potássio em algumas áreas. “Com a amostragem do solo, a gente identifica os lugares que precisam de adubação, faz a correção e gasta o que precisa ser gasto. Não há desperdício”, afirma o agrônomo, que trabalha com o pai em mais duas propriedades nos municípios de Ponta Grossa e Tibagi, também no Paraná.

Apesar dos benefícios, o valor pago por cada maquinário é alto, e a alternativa pode ser alugar os equipamentos ou adquirir cada um deles por vez. Para Cássio, o investimento compensa e, no seu caso, foi recuperado em 2 anos. “A produtividade vai subindo gradativamente. Muita gente considera o maquinário de agricultura muito caro. Mas, se o produtor reduzir 20% da sua adubação, por exemplo, que representa 40% de todo o seu custo, então a máquina é paga no primeiro ano”, explica.

Há setores, porém, em que o uso de alguns dos equipamentos é mais justificável, já que, segundo o pesquisador José Paulo Molin, coordenador da área de mecânica e máquinas agrícolas do departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq/USP, o retorno não é imediato. É o caso da cana-de-açúcar, cultura em que o uso do piloto automático é fundamental para não prejudicar a lavoura, uma vez que a plantação é feita em fileiras e a passagem da colheitadeira precisa ser muito precisa. “Tanto o setor de grãos quanto o de cana já utilizam mapas de amostragem para a aplicação de taxas variáveis de insumos agrícolas. Mas o piloto automático tem como principal usuário as usinas de cana”, afirma.

O pesquisador ressalta também que a agricultura de precisão (que chegou ao Brasil por volta de 1995) já deixou de ser um tabu para os agricultores há cerca de 5 anos, quando o mercado passou a investir e divulgar a tecnologia em feiras agrícolas. “No início do ano 2000 tudo era novidade. Hoje, grande parte dos agricultores já tem conhecimento sobre o assunto”, explica. Desde o seu surgimento, a tecnologia também tornou-se mais sofisticada, o que melhorou a qualidade do sinal e até mesmo as instruções para o uso dos equipamentos. “Antigamente, a gente dispunha de poucos satélites e um sistema de GPS que o governo americano disponibilizava. Hoje, são mais 24 satélites que estão disponíveis, de um sistema russo, além de cartão de memória com capacidade maior e instruções em português”, explica Mariana.

Fonte: Globo Rural.

Contribuições para o Código Florestal

Cientistas ligados à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e à Academia Brasileira de Ciências (ABC) apresentaram na segunda-feira (25/4), em Brasília, o documento O Código Florestal e a Ciência – Contribuições para o Diálogo. A publicação reúne argumentos da comunidade científica para o aprimoramento do debate em torno do projeto de lei que propõe a alteração do Código Florestal.

O documento será entregue a ministros, deputados e senadores, que se preparam para votar em breve o projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e que institui mudanças significativas na principal lei de proteção às florestas brasileiras.

De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, o projeto que altera o Código Florestal (PL 1876/99 e outros) será incluído na pauta do plenário nos dias 3 e 4 de maio.

Segundo a SBPC e a ABC, o Brasil dispõe de milhares de doutores, detém o conhecimento na área de sensoriamento remoto e modelagem computacional, lidera o mundo no monitoramento das coberturas e usos do solo e tem excelência reconhecida nas pesquisas agropecuária e florestal.

“Isso faz da ciência uma peça fundamental no quebra-cabeça que precisa reunir técnicos, produtores rurais, ambientalistas, parlamentares e a sociedade civil nas discussões que nortearão o diálogo sobre o Código Florestal”, disse Helena Nader, presidente da SBPC.

O grupo de trabalho organizado pelas duas entidades científicas reuniu 12 pesquisadores nas áreas de agronomia, engenharia florestal, ciências da terra, hidrologia, meteorologia, biologia, ciências sociais, genética, biotecnologia, economia ambiental e direito.

Os especialistas avaliaram os mais importantes pontos propostos para a revisão do Código e fizeram análises específicas, mas sempre buscando conexões por meio da interdisciplinaridade. Nesse processo, apoiaram-se na literatura científica sobre o tema.

O grupo de trabalho também consultou outros especialistas de diversas instituições de pesquisa e ouviu gestores públicos e parlamentares para a coleta de opiniões que balizaram a formulação do texto a ser apresentado para a sociedade brasileira. O documento estará disponível nos sites da SBPC e da ABC.

Mobilização da comunidade científica
A revisão do Código Florestal brasileiro tem provocado sérias preocupações na comunidade científica e suscitado diversas manifestações. Com uma possível aprovação do relatório que propõe mudanças na legislação ambiental, o Brasil estaria “arriscado a sofrer seu mais grave retrocesso ambiental em meio século, com consequências críticas e irreversíveis que irão além das fronteiras do país”, segundo carta redigida por pesquisadores ligados ao Programa Biota-Fapesp e publicada em julho de 2010 na revista Science.

As novas regras, segundo eles, reduzirão a restauração obrigatória de vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965. Com isso, “as emissões de dióxido de carbono poderão aumentar substancialmente” e, a partir de simples análises da relação espécies-área, é possível prever “a extinção de mais de 100 mil espécies, uma perda massiva que invalidará qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade”.

A comunidade científica, de acordo com o texto, foi “amplamente ignorada durante a elaboração” do relatório de revisão do Código Florestal. A mesma crítica foi apresentada em carta enviada pela SBPC e ABC, em junho de 2010, à Comissão Especial do Código Florestal Brasileiro na Câmara dos Deputados.

Em agosto, o Biota-Fapesp realizou o evento “Impactos potenciais das alterações do Código Florestal Brasileiro na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos”.

Pesquisadores reunidos avaliaram possíveis impactos que as alterações do Código Florestal terão sobre grupos taxonômicos específicos (vertebrados e alguns grupos de invertebrados), bem como em termos de formações (Mata Atlântica e Cerrado) e de serviços ecossistêmicos (como ciclos biogeoquímicos e manutenção de populações de polinizadores).

Mais informações: www.sbpcnet.org.br e www.abc.org.br

Fonte: Avicultura Industrial.

Agricultura de precisão em foco

Nos últimos sete anos, a família do engenheiro agrônomo Cássio Kossatz cortou o uso de calcário em 20%, o de fósforo em 40% e o de potássio em 35% na produção de grãos. Também foram reduzidas as diferenças de produção por área e a sobreposição na aplicação de agrotóxicos. Adepta da agricultura de precisão, a família é fã de tecnologia e acredita que esse é um caminho sem volta no campo. Assim, pretende elevar os investimentos nos cerca de 2,7 mil hectares mantidos pela Kossatz Agricultura em três propriedades na região dos Campos Gerais, no Paraná.

O perfil de Cássio Kossatz destoa da maioria dos agricultores. Com 25 anos, ele usa tablet e smartphone quando visita as propriedades e passou um ano nos EUA, fazendo estágio em uma fazenda e estudando economia agrícola na universidade de Ohio. Mas ressalta que o trabalho começou com o pai, Celso, de 56 anos, que em 2004 contratou uma empresa de consultoria agrícola e passou a fazer amostragem da terra de 2 em 2 hectares. Antes, era tirada uma média por talhão, com amostras para cada 30 a 50 hectares.

“Passamos a conhecer melhor nossa terra”, diz Cássio, que colheu uma média de 3,8 mil quilos por hectare de soja e 11,5 mil quilos por hectare de milho na safra de verão. “A racionalização do uso do adubo é a principal vantagem”, explica, sobre os investimentos de cerca de R$ 400 mil que já fez em equipamentos.

Com um programa de computador, ele agrupou as informações das terras obtidas em laboratório, gerou mapas e começou a tomar decisões com base no que via no papel – o solo e suas qualidades ou deficiências, tudo demarcado por GPS -, formando um banco de dados. Depois, comprou um equipamento para aplicação em taxa variável, que foi acoplado à adubadora. “Eu programo o que quero, que pode ser um plano anual ou de longo prazo”, acrescenta.

A percepção de que passaria a usar menos adubo foi imediata. Como o insumo representa cerca de 40% dos custos, gerou uma economia que ajudou a pagar os investimentos feitos. Há cinco anos, a família comprou uma área no município de Tibagi, com terra argilosa, que hoje é uma das mais produtivas da região. “Cada dia estamos melhorando”, conta o agrônomo, dentro da cabine de um trator com piloto automático e monitor que orienta o percurso do plantio e monitora a aplicação de defensivos e a taxa variável de líquidos e sólidos.

Desde 2007, os Kossatz têm também monitores de colheita, que identificam o rendimento em cada ponto. Naquele ano, a colheita de milho teve variação de 2 mil quilos por hectare a 18 mil quilos por hectare. “A previsão é que a diferença caia e haja homogeneização”. Os dados obtidos no campo são levados ao computador e analisados para a busca da precisão.

Antes, havia uma sobrecarga de uso de agrotóxico de 10%, por exemplo, e a porcentagem caiu para 4%. O próximo passo, adianta, é reduzir o erro do GPS, que estava em 20 centímetros e pode cair para 2, o que vai resultar em melhor uso também de máquinas. Com os dados das propriedades, a família percebeu que poderia reduzir o número de colheitadeiras de quatro para três. “Economizei uma colheitadeira”, afirma o agrônomo.

De olho no bom rendimento da safra, a indústria de equipamentos para agricultura de precisão prepara-se para difundir suas vantagens. Mariana Camargo, que atua na área de pós-vendas da Case IH, explica que houve evolução nos últimos anos e, se os primeiros equipamentos tinham problema com sinal do GPS, agora já existem mais satélites e a qualidade melhorou.

Também havia dificuldade com o idioma, que deixou de ser apenas em inglês e ou em português de Portugal. “Queremos no mínimo dobrar as vendas de equipamentos de precisão”, afirma. Mariana não revela números, mas acrescenta que há opções no mercado para pequenos, médios e grandes agricultores.

Fonte: Suinocultura Industrial.

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