O Valor do Mercado de Créditos de Carbono

A relevância ambiental do plantio de árvores é muito maior do que o sequestro de carbono. Plantar árvores significa preservar os recursos hídricos, proteger a biodiversidade, integrar mais homem e natureza. Quem planta uma árvore não planta para si e sim para as futuras gerações.

Neste contexto de sequestro de carbono, o relatório Leveraging the Landscape: State of the Forest Carbon Markets 2012, promovido pelo Ecosystem Marketplace indica que os valores de créditos de carbono oriundos de atividades florestais teve um recorde no ano de 2011, atingindo a marca de US$ 237 milhões.

Esses projetos florestais estão relacionados à: Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação ambiental (REDD), Aflorestamento/Reflorestamento (A/R), Melhoria do Manejo Florestal (IFM), e Uso Sustentável de Terras Agrícolas (SALM).

No mercado voluntário, o financiamento é realizado por organizações e indivíduos que querem neutralizar o impacto das emissões produzidas pelas suas atividades. Para isso, investem em projetos que têm como objetivo reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE), por meio da compra de créditos de compensação. Estes são normalmente instrumentos financeiros negociáveis chamados Reduções Verificadas de Emissão (VERs – Verified Emission Reductions), os quais representam uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) reduzida ou deixada de ser emitida.

Para Higino Aquino, especialista em projetos de carbono florestal no mercado voluntário do Instituto Brasileiro de Florestas, a dificuldade encontrada é a falta de profissionais para elaboração de projetos: “Trata-se de uma atividade nova, as pessoas estão conhecendo agora esta modalidade de negócio”, ressalta Aquino.

Atualmente Higino ministra cursos de capacitação para empresas e profissionais que buscam implantar projetos de captação de recursos no mercado voluntário de carbono através da Restauração Florestal e REDD. O objetivo destes cursos é expor as técnicas e métodos para o desenvolvimento de projetos, desde a identificação das espécies nativas, demarcação de matrizes, coleta e processamento de sementes, produção das mudas em viveiros de tubetes, plantio e manejo de florestas destinadas ao sequestro e comércio voluntário de Carbono.

Fonte: IBF.

Reflorestamento, PRAD, Crédito de Carbono

Por Domingos Sávio Bruno

“É preciso que esteja bem claro, quanto ao plantio das espécies exóticas nas áreas degradadas”

Atualmente prefeitos e proprietários de terras rurais, com aberturas em local de uso por ocupação humana, são obrigados a se adequarem e a cumprirem o que determina a legislação florestal. Para prefeitos há ainda como instrumento para obrigá-los a tais empenhos, a agenda 21 dos administradores públicos. Os prefeitos deverão fiscalizar e orientar e ainda punirem transgressores da lei. Para tanto, se exige que tenha equipe técnica habilitada e uma secretaria de meio ambiente preparada e equipada. E as suas obrigações vão desde o inventário com diagnóstico e constatação da situação florestal, no perímetro rural e em cada propriedade, até o plantio das florestas. O que inclui as terras queimadas e ainda queimando segundo relatórios que podem ter acessos semanais do INPE.

A recuperação de áreas degradadas, bem como o reflorestamento é um assunto promissor no estado de Mato Grosso. Mas que ainda aguarda a adequação da legislação florestal ao novo código aprovado. Mais especificamente no que se refere às áreas de matas ciliares e das encostas de morros dentro do nosso território nacional. Todavia, essa questão da recomposição apesar de já estar bastante difundida teoricamente, ainda carece de mais atenção para a execução. É importante que as atividades sejam imediatamente colocadas em prática. Há necessidades urgentíssimas de um programa e linhas de créditos para que os projetos sejam viabilizados com máxima brevidade. Ou seja, tão logo identificados os locais e definidos os termos de ajustamento de conduta junto aos órgãos ambientais, para que sejam executados no campo conforme cronograma do seu projeto.

É preciso que esteja bem claro, quanto ao plantio das espécies exóticas nas áreas degradadas, visto que também estão aptas a cumprirem o seu papel de proteção, além de serem economicamente viáveis e rentáveis. Podendo ser plantadas desde que permitida por lei, juntamente com essências usadas de forma consorciadas e revertendo em lucratividade aos envolvidos. Merece estudos e debates sobre a questão.

A questão das medidas das faixas de matas ciliares, exigidas rigidamente ao pé da lei, numa área já a dezenas e até centenas de anos consolidadas, com ocupações estabelecidas no local, onde o ambiente encontra-se já em equilíbrio e estabilizado. Essa recuperação muitas vezes causará a remoção de habitações de famílias ali estabelecidas há muito tempo, além de movimentação e remoção de solos, que provocará novo impacto para o local. Para tanto, é necessário ainda estudos para que sejam definidas regras aplicáveis, que não prejudiquem as funções produtivas das terras aráveis e lavradias, e nem as moradias de longa data. E ainda respeitando os corredores de bebedouros de animais.

Merece que sejam definidas regras através de cooperação técnica entre o órgão ambiental e o órgão de saúde pública, responsável pelo controles de endemias no nosso estado, para a recuperação das áreas degradadas em caso de proximidades de moradias e alojamentos de humanos, principalmente nas áreas rurais de regiões malarígenas, para se evitar a reincidência da endemia. Este assunto merece toda a atenção dos legisladores, para que não se cometam enganos prejudiciais ao homem do campo.

Porém, prefeitos e proprietários de terras a partir da regulamentação do novo código florestal, estão obrigados a promoverem e efetuarem a recomposição das áreas degradadas e que se encontrarem a margem do que determina os preceitos legais. No entanto é salutar, inteligente e lucrativo ocupar as terras com florestas, promovendo reflorestamentos em áreas de pastos não utilizados e a recomposição de áreas degradas, que podem ser nas matas ciliares, encostas de morros ou nas áreas de reserva legal. Vele ressaltar que as árvores de plantios novos servem para captura do carbono, que ainda podem gerar créditos que podem reverter em lucratividade aos proprietários de terras. A captura do carbono é assunto novo, que vem sendo difundido ainda um tanto lentamente, mas que se mostra como sendo lucrativo. E deve ganhar notoriedade e adeptos em curto espaço de tempo.

Fonte: Correio Press.

Mudança de paradigma no mercado de crédito de carbono

A preocupação com o meio ambiente levou os países da Organização das Nações Unidas a assinarem um acordo que estipulasse controle sobre as intervenções humanas no clima. Este acordo nasceu em dezembro de 1999 com a assinatura do Protocolo de Kyoto. Os países desenvolvidos signatários devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2%, em média, relativas ao ano de 1990, entre 2008 e 2012. Esse período é conhecido como primeiro período de compromisso. Para não comprometer as economias desses países, o protocolo estabeleceu que parte desta redução possa ser através da compra crédito de carbono.

Os créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE) são certificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de Carbono Equivalente.

O atual paradigma é que o vendedor comercialize a diferença entre o seu compromisso de redução e sua redução efetiva. Em países com grandes áreas de florestas é possível o vendedor comercializar a garantia que não desmatará sua área para outros fins.

Entretanto, a prática de crédito de carbono não cobre tecnologias que possam sequestrar o carbono da natureza. O ato de retirar o carbono da atmosfera tem o mesmo efeito de reduzir sua produção. Desta forma, deveria ser possível pessoas ou empresas que executam práticas de sequestro de carbono poderem vender créditos.

Uma pesquisa conduzida pelo professor do departamento de Genética Juarez Gabardo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da Monsanto e parceria com a Universidade de Auburn, no Alabama (EUA), tem mostrado que o melhoramento genético em plantas pode contribuir a mitigação do dióxido de carbono (CO2) atmosférico. Vista como uma das responsáveis pelo aumento do efeito estufa pela elevada emissão de gases, principalmente o dióxido de carbono (CO2), a agricultura pode atuar como acumuladora de carbono, de acordo com a pesquisa, desde que siga o caminho da precisão, aplicando a inovação tecnológica desenvolvida em laboratórios e acessível aos agricultores.

Segundo Daniela Calazans, gerente de originação da empresa Ecosecurities. “Por enquanto, não há metodologias que tratem da questão do sequestro de carbono no solo. Para isso, seria necessária uma alteração das regras pela conferência das partes do Protocolo de Kyoto”, finaliza Daniela, que trabalha com o desenvolvimento de projetos MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).

Uma proposta de inovação seria a criação de uma linha de pesquisa para desenvolver uma metodologia para medir com exatidão o volume de sequestro de carbono de plantas geneticamente modificadas e patenteadas. Essa metodologia patenteada associada com um novo modelo de negócio com agricultores poderia gerar um novo e lucrativo negócio.

Fonte: efagundes.com.

Créditos de carbono: MPF vai investigar contrato entre empresa e índios

Selva e rio em Rondônia. Região rica em biodiversidade. Foto: Andre Sa.O contrato de US$ 90 milhões firmado entre a empresa irlandesa Celestial Green Ventures e a comunidade indígena munducuru, referente ao uso de créditos de carbono, foi alvo de inquérito aberto pelo Ministério Público Federal (MPF), informou o Estadão.

Segundo o órgão, falta clareza no acordo que permite à companhia irlandesa explorar por 30 anos uma área de 200 mil quilômetros quadrados na floresta amazônica. Em março, o Estadão revelou que os índios da etnia mundurucu receberiam um pagamento mensal para ceder à Celestial Green Ventures os direitos de comercialização dos créditos de carbono, que compensam emissões de gases de efeito estufa pelas grandes empresas poluidoras ao redor do planeta. Além disso, o contrato prevê a exploração da biodiversidade, com acesso irrestrito ao território indígena no município de Jacareacanga (PA).

Segundo a apuração do MPF, o valor pago pelos irlandeses seria de R$ 3 milhões por ano. Depois de passar pela Advocacia-Geral da União (AGU), o procedimento administrativo foi transformado em inquérito e será investigado pelo procurador Felipe Bogado, da Procuradoria da República em Santarém, no Pará.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), que considera ilegais os contratos assinados entre comunidades indígenas e empresas que negociam crédito de carbono, registra no país mais de 30 contratos nas mesmas bases.

Segundo a entidade, não existe regulamentação no país sobre o mecanismo de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd) e os contratos que exploram esta compensação financeira não têm validade jurícica. Pela lei, os índios não são donos das terras, cuja propriedade cabe à União, mas têm amplos direitos sobre a posse e o usufruto de suas riquezas.

Apenas a Celestial Green teria fechado outros 16 projetos no território brasileiro, somando cerca de 200 mil quilômetros quadrados- ou quase o tamanho do estado de São Paulo. A terra dos mundurucus representa pouco mais de 10% do total contratado pela empresa, que também negociou os territórios Tenharim Marmelos, no Amazonas, e Igarapé Lage, Igarapé Ribeirão e Rio Negro Ocaia, em Rondônia.

Sem revelar valores, outra empresa internacional, a Viridor Carbon Services, anunciou recentemente ter realizado o maior contrato do gênero com a etnia cinta-larga, que ocupa quatro terras indígenas nos Estados de Rondônia e Mato Grosso.

Por dentro do Redd
O conceito de Redd existe há quase 10 anos e propõe que sejam incluídas na contabilidade as emissões de gases de efeito estufa que são evitadas pela redução do Desmatamento e a degradação florestal.

Assim, países em desenvolvimento que reduzem suas emissões nacionais combatendo o desmatamento em florestas tropicais receberiam compensação financeira internacional. O valor seria algo em torno de US$ 1 mil por hectare contratado.

Fonte: Envolverde.

Bain & Company atinge meta de carbono zero em suas operações globais

A Bain & Company, empresa global de consultoria estratégica, anuncia sua certificação como uma CarbonNeutral® company, concedida a organizações cujas emissões de CO2 tenham sido medidas e reduzidas a zero, de acordo com os padrões internacionais da certificação. “Essa conquista é resultado de um compromisso interno da Bain para a condução de práticas empresariais sustentáveis”, afirma Steven Tallman, chefe de operações globais da Bain. A empresa também apoia seis projetos ambientais relacionados à geração de energia eólica, produção de biomassa, proteção florestal, energia geotérmica e captura de metano no Brasil, Índica, China, Turquia e Estados Unidos. “Temos plena convicção de que a Bain deve ser uma referência em questões que afetam as nossas comunidades em todo o mundo. Chegar à emissão de carbono zero era uma prioridade para nossos atuais colaboradores e com certeza para os futuros. E cada vez mais ouvimos que essa é uma importante meta para nossos clientes também”, completa.

A Bain tem realizado esforços para a redução de sua pegada de carbono que vão desde iniciativas de escritórios locais em torno de energia verde e reciclagem até a consolidação global de seus servidores e o aumento do uso de teleconferências, incluindo a implantação de configurações de vídeo nos computadores de todos os funcionários. Além disso, uma rede “equipes verdes”, distribuída em mais de 80% de seus 49 escritórios, garante que a sustentabilidade esteja integrada no dia-a-dia das operações em todo o mundo, e ajuda a identificar oportunidades para reduzir a pegada de carbono da empresa.

“A natureza do nosso negócio nunca nos permitirá eliminar totalmente as viagens de negócios”, reconhece Tallman. “Precisamos, portanto, desafiar a nós mesmos constantemente por meio de nossas estratégias de sustentabilidade e práticas globais em manter 100% de carbono neutro, tanto pelos notáveis ??esforços das ‘equipes verdes’ da Bain como por nosso envolvimento em projetos verdes de alto impacto. Esses projetos representam uma gama de tecnologias de energia renovável e nós estamos orgulhosos em fornecer recursos suficientes para viabilizá-los financeiramente.”

Para alcançar o status de empresa CarbonNeutral ®, a Bain & Company trabalhou com a The CarbonNeutral Company, principal prestadora mundial de soluções em redução de emissões de carbono. A certificação envolveu uma avaliação rigorosa e independente de seis diferentes emissões de gases com efeito de estufa. A CarbonNeutral funciona com mais de 400 empresas em 40 países para desenvolver programas de compensação de carbono. Desde 1997, a empresa adquiriu créditos de carbono de mais de 240 projetos em 30 países.

Perfil da Bain & Company, Inc.
Bain & Company, uma das maiores consultorias de negócios do mundo, orienta clientes em relação a estratégias, operações, tecnologia, constituição de empresas, fusões e aquisições, desenvolvendo práticas que assegurem aos clientes transparência nos processos de mudança e tomada de decisões. A Consultoria trabalha em sinergia com os clientes, vinculando seu fee aos resultados. O desempenho dos clientes da Bain superou o mercado de ações em 4 para 1. Fundada em 1973 em Boston, a Bain conta com 49 escritórios em 31 países e atua junto a grandes empresas multinacionais, de private equity e outras corporações em todos os setores da economia.

Fonte: Fator Brasil.

Pecuária começa a mudar paradigmas

Há luz no final do túnel. Menos de dois anos após a instituição do Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono – os processos que exigem o envolvimento da pecuária brasileira apresentam gradual crescimento, mesmo ainda de forma lenta. O programa incentiva a adoção de mecanismos tecnológicos e práticas que neutralizem ou pelo menos reduzam as consequências da emissão de gases de efeito estufa (GEE).

A pecuária tradicional – ainda considerada uma das vilãs na emissão – deve adotar, segundo o “ABC”, vários procedimentos sustentáveis como a integração lavoura-pecuária (ILP), integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), recuperação de pastagens degradadas e fixação biológica de nitrogênio em solos de pastagem.

De acordo com o superintendente do Banco do Brasil no Mato Grosso do Sul, Fábio Euzébio, dos 3,15 bilhões disponibilizados pelo ABC para a safra 2011/2012 em todo o País, perto de R$ 1,7 bilhão havia sido aplicado até o mês de março deste ano, com a expectativa de fechar o mês de abril em R$ 2 bilhões. “Só de recursos do BB são R$ 850 milhões”, salientou em apresentação do tema a pecuaristas durante a Expogrande 2012, em Campo Grande, MS.

Deste montante do BB, foram liberados R$ 502 milhões entre junho de 2011 e 16 de abril de 2012. Já dos R$ 2 bilhões disponibilizados pelo DBNES para o mesmo fim, apenas R$ 170 milhões haviam sido contratados até o início da segunda quinzena de abril.

Euzébio usou o exemplo do próprio Mato Grosso do Sul – que detém um rebanho bovino de 22 milhões de cabeças, um dos três maiores do País -para demonstrar que o envolvimento da pecuária no Programa ABC ainda é pequeno. Segundo ele, até outubro de 2011, o Banco do Brasil havia desembolsado apenas R$ 1,8 milhão de crédito no estado. Em março de 2012, fechou com um desembolso total de R$ 34,1 milhões. Até o final deste mesmo mês, as propostas internalizadas chegavam a R$ 84 milhões.

“Vamos fazer um cálculo somando estas duas frentes e supondo que podemos liberar até agora R$ 120 milhões, sendo aproximadamente R$ 90 milhões para recuperação de pastagens, que é a maior demanda no MS”, diz. Neste cálculo foi estabelecido um custo médio de R$ 1 mil por hectare para o trabalho de reforma. “Este dinheiro, portanto, garantiria a recuperação de 90 mil hectares de pastagens, o que representa 1% dos nove milhões de hectares degradados ou em processo de degradação no Mato Grosso do Sul. É ainda muito pouco”, afirma o superintendente.

De acordo com Euzébio, o Banco do Brasil detém 82,3% de todo o crédito agrícola do Mato Grosso do Sul (sua média brasileira é de 64,9%), conta com 6,5 mil clientes agropecuaristas no estado (quase 10% dos 70,2 mil em todo o Brasil) onde ainda soma mais 18 mil clientes da agricultura familiar (de um total de 1,44 milhão no País).

Apesar de considerar ainda pequena a liberação de crédito do programa ABC para a pecuária, Euzébio é otimista quanto ao aumento da demanda diante das necessidades inevitáveis de maior produtividade sem aumento de área e adoção de processos sustentáveis de criação. “Agora é que o trem começou a sair da estação”, ressalta.

Nesta avaliação, o Banco do Brasil diagnosticou as dificuldades que impediram, até agora, maior adesão da pecuária brasileira aos recursos do Programa ABC. Dente elas, Euzébio menciona o desconhecimento do crédito e das tecnologias, ausência de capacitação, dificuldades de ordem legal em algumas regiões brasileiras, o fato do Código Florestal ainda estar em revisão e a mudança de paradigma. “O ABC não financia um item específico, mas sim a finalidade; como exemplo, podemos citar a aquisição de uma máquina, não por ela mesma, mas pela função que exercerá em procedimentos de plantio direto”,explica.

Evolução
Mesmo ainda a passos lentos, a gradual recuperação de pastagens no Brasil já acontece. Quem afirma é o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Manuel Cláudio Motta Macedo. “A coisa já melhorou bem; entre 1983 e 1990 quem falasse sobre adubação de pastagem era enforcado”, salienta.

Segundo ele, é necessário esclarecer que “o pasto não é o vilão de tudo” e salientar que o manejo adequado e a utilização correta fazem com que ele seja instrumento para o sequestro de carbono. “Isso neutraliza todas essas conversas de pessoas e organismos que culpam a pecuária em excesso e que chegam aos nossos ouvidos carregadas de fortes componentes econômicos”, afirma.

Macedo – que também é doutor em ciências do solo e especialista em ILP e recuperação de pastagens degradadas – alerta para o fato de que apenas reformar ou recuperar a pastagem não garante resultados perenes:”é preciso, sobretudo, manter a boa qualidade para evitar que a área venha a se degradar novamente, e isso exige mudanças de hábitos”.

O pesquisador da Embrapa cita os dois fatores principais que, em sua opinião, mais afetam a qualidade do pasto para bovinos no Brasil:”excesso de lotação e falta de reposição de nutrientes”. Apesar de avanços nos últimos anos, Macedo entende que é necessária uma aceleração do processo de melhoramento da pastagem brasileira sob pena de sérios riscos à pecuária nacional. “Não havendo evolução perderemos mais ainda em produtividade e em qualidade ambiental”, avisa.

Indagado sobre o cumprimento das metas do programa ABC (veja box), o pesquisador prefere não arriscar palpites, pelo menos por enquanto. “Vai depender de muita coisa, inclusive da nossa economia se manter próspera como agora; por isso é bom esperar mais alguns anos até os primeiros resultados efetivos aparecerem”, observa.

Sobre os financiamentos para a recuperação das condições das pastagens brasileiras, Macedo acredita que sejam bem acessíveis, mas faz uma observação ao contextualizar o atual quadro econômico e de rebanho nas fazendas de gado de corte: “nos últimos anos o pecuarista se descapitalizou e aconteceram muitos abates de matrizes; o risco é o criador não resistir e usar o dinheiro financiado destinado às pastagens para a compra de rebanho. É como o cachorro correndo atrás de seu próprio rabo!”.

Observação interessante faz o superintendente de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Agrário da Secretaria de Produção do Mato Grosso do Sul, Jerônimo Alves Chaves: “Quem está avançando são os filhos, genros e arrendatários dos pecuaristas tradicionais; boa parte está apostando em sistemas de integração lavoura-pecuária”.

Programa tem metas até 2020
Instituído pelo decreto federal 7.390 de 09.12.2010 que regulamentou a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), o Programa ABC é um compromisso assumido pelo Brasil diante da comunidade internacional em promover a redução das emissões de gases de efeito estufa em percentuais entre 36% e 39% até o ano de 2020.

Dentre as metas está a redução do desmatamento na Amazônia em 80% (em relação à média entre os anos de 1996 e 2005) e de 40% no Cerrado (como referência a média entre 1999 e 2008). No setor agropecuário prevê a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e a implantação de ILPF em mais quatro milhões de hectares.

Outras metas ainda podem envolver procedimentos de pecuaristas. São elas: expansão do plantio de florestas em três milhões de hectares, prática do plantio direto em mais oito milhões de hectares, tratamento de mais 4,4 milhões de m3 de dejetos animais e expansão da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares de áreas de cultivo, em substituição ao uso de fertilizantes nitrogenados.

Os financiamentos estão abertos tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas e cooperativas. Em todas as situações exige-se o projeto técnico. Recursos do Banco do Brasil (poupança rural) e do BNDES podem ser tomados até um limite de R$ 1 milhão por cliente em cada ano/safra a uma taxa de 5,5% de juros ao ano.

Para a região onde estão concentrados os grandes rebanhos de corte do Brasil, o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) faculta a liberação de até R$ 20 milhões por cliente, grupo empresarial ou grupo agropecuário. Neste caso, os juros dependem do porte e da receita do negócio. Variam entre 4,25% (mini produtor com até R$ 360 mil/ano de faturamento) e 7,22% (grande produtor, com receita acima de R$ 90 milhões/ano).

Fonte: Correio de Corumbá.

Estudo propõe metodologia para projeto florestal de crédito de carbono

As crescentes preocupações com a mitigação das mudanças do clima levaram à criação de mecanismos de mercado que recompensassem financeiramente ações adicionais de remoção de gases do efeito estufa da atmosfera através de projetos voltados ao mercado de carbono.

Diante do exposto, o engenheiro florestal Thales Augusto Pupo West desenvolveu uma metodologia para projetos florestais de carbono envolvendo a conversão da exploração madeireira convencional (ilegal) para o manejo florestal que utilize técnicas de Exploração de Impacto Reduzido (EIR). O estudo foi proposto no Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). “Embora, no âmbito do Protocolo de Kyoto, apenas atividades florestais de florestamento e reflorestamento sejam consideradas elegíveis, a maturação do mercado voluntário de carbono levou regimes de mercado como o Verified Carbon Standard (VCS) a aceitarem, entre outras, atividades de projeto envolvendo a melhoria do manejo florestal”, conta o autor do trabalho, que teve orientação de Edson José Vidal da Silva, docente do Departamento de Ciências Florestais (LCF) e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Estão incluídas entre essas atividades a conversão da exploração madeireira convencional (EC) para o manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR), atividade esta que, segundo West, muito provavelmente estará inclusa no escopo de um futuro programa florestal de mitigação das mudanças do clima, o REDD+ (redução de emissões do desmatamento e degradação florestal mais os benefícios do sequestro de carbono a partir de melhorias do manejo florestal).

Na prática, a pesquisa utilizou uma série histórica de 16 anos de dados de uma área florestal explorada através da EC e do MF-EIR em Paragominas (PA), onde o diâmetro a altura do peito (DAP), o crescimento, a mortalidade e o recrutamento foram monitorados, além de identificados o nome vulgar e o nome científico de todos os indivíduos amostrados. A área estudada, de 210 hectares, foi submetida a 3 formas de tratamentos. MF-EIR em 105 ha, exploração convencional em 75 ha e área de controle, não explorada, em 30 ha. As explorações aconteceram em 1993, sendo realizados inventários florestais pré-exploração, em 1993, e pós-exploração, nos anos de 1994, 1995, 1996, 1998, 2000, 2003, 2006 e 2009.

A partir disso o engenheiro florestal estimou os impactos dos tratamentos na dinâmica do carbono ao longo do tempo, sob a perspectiva de um projeto florestal de crédito de carbono envolvendo a conversão da EC para o MF-EIR. “O objetivo foi desenvolver essa metodologia para que agentes madeireiros pudessem utilizar o incentivo financeiro do mercado de carbono, um pagamento por serviço ambiental para adotar práticas sustentáveis de manejo florestal. Essa opção de projeto é elegível no mercado voluntário de carbono, porém necessita de uma metodologia aprovada para acontecer e até o momento não existe nenhuma que funcione dessa forma”, explica.

Tendo como pilares regras e guias de boas práticas envolvendo atividades de uso do solo e mudanças do uso do solo como o GPG-LULUCF do IPCC, além de outras metodologias e ferramentas aprovadas para projetos florestais de carbono, a dinâmica dos estoques de carbono foi monitorada e, com base nessa dinâmica, foi estimado qual seria o retorno financeiro de um projeto de carbono.

“A comparação entre os tratamentos MF-EIR e EC em relação às taxas de regeneração dos estoques de carbono apontou diferenças estatísticas significativas. O tratamento MF-EIR apresentou um incremento médio observado de 12,30 Mg C ha-1 ano-1 e estimado de 13,01 Mg C ha-1 ano-1, enquanto que o tratamento EC apresentou um incremento médio observado de 5,42 Mg C ha-1 ano-1 e estimado de 5,43 Mg C ha-1 ano-1”, destaca o pesquisador.

Viabilidade econômica
Em termos econômicos, o estudo considerou cenários distintos envolvendo a área do projeto e avaliou resultados para 500, 1.000, 5.000, e 10.000 hectares, além do preço do crédito de carbono fixado em US$ 5,00, US$ 7,50, e US$ 10,00 por unidade. “Observamos a partir daí uma matriz de resultados onde apenas projetos com área superior a 1.000 ha seriam possivelmente viáveis economicamente à atividade de projeto de carbono em questão”. Concomitante, o valor mínimo estimado do crédito de carbono para que não haja prejuízo financeiro aos madeireiros por uma possível postergação do início do segundo ciclo de corte na área do projeto, tempo necessário para que os estoques de carbono da biomassa arbórea viva atinjam seu valor inicial pré-exploração, foi de US$ 5,33 por unidade. “Esse valor está dentro da faixa de preços praticados pelo mercado de carbono apontada pela literatura”.

Além dessas vantagens, West lembra que a metodologia sugere uma nova forma de abordagem dada ao crédito de carbono, que é baseado atualmente no volume estocado, sem considerar se está alocado no reservatório de carbono da matéria morta ou no da biomassa viva. “Um dos resultados sugere que o carbono estocado na biomassa viva é mais importante para a sustentabilidade do manejo florestal e deve ser dada maior importância a ele nesse contexto de PSA baseado no carbono florestal. Agora, o passo seguinte é submeter a metodologia para aprovação no VCS. No entanto, esse é um processo longo”, finaliza.

Fonte: Inteligemcia.

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.


A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.
Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Fonte: G1.

Corporações dos Estados Unidos financiam fraude de carbono na Europa

Uma fábrica da Dow Chemical nas margens do Lago Michigan, nos Estados Unidos. Foto: Domínio públicoO Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto sobre mudança climática Acabou por gerar um incentivo perverso que ganhou proporções de fraude na Europa.

Grandes corporações dos Estados Unidos, como Dow Chemical, ConocoPhillips, Chevron e Cabot Corporation, servem-se de um questionado negócio de créditos de carbono para compensar no papel a sua contaminação climática na Europa, conforme mostra a seguinte investigação.

A Dow foi a principal compradora. A empresa possui fábricas de produtos plásticos e químicos que emitem dióxido de carbono na Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda e Polónia. Juntas ocupam o 21º lugar entre os cem principais compradores europeus de certificados de redução de emissões de carbono (CRE) originados em 19 projetos de duvidosa legitimidade.

As geradoras de energia estabelecidas na União Europeia (UE), algumas delas subsidiárias de empresas norte-americanas, estão obrigadas a reduzir a sua contaminação com gases de efeito de estufa – que aquecem a atmosfera – adotando tecnologias mais limpas ou compensando as suas emissões mediante a compra de CRE.

Para as empresas sai mais barato compensar as suas emissões do que reduzi-las realmente. E, pelas debilidades das normas europeias, podem fazê-lo. Os CRE incluem-se no contexto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Quioto, único tratado internacional que obriga as nações industriais que o assinaram a reduzirem a sua contaminação climática.

Cada CRE equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que não foi lançada na atmosfera. E é entregue a favor do responsável por um projeto aprovado, após certificar que a redução realmente aconteceu. Depois, pode gerar instrumentos de comercialização, sujeitos às leis da oferta e da procura. O MDL foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para que os países industrializados subsidiassem a mitigação da mudança climática nas nações em desenvolvimento. No entanto, acabou por criar um incentivo perverso usado para maximizar os lucros de um punhado de manufaturas de gases industriais, a maioria localizada na Índia e na China, que obtiveram 19 desses projetos.

A chinesa Jiangsu Meilan Chemical e a indiana Navin Fluorine International, entre outras, comprometeram-se a capturar e destruir HFC-23, um resíduo da produção do gás refrigerador HFCF-22 (hidroclorofluorocarbono), proibido na União Europeia e nos Estados Unidos por esgotar a camada de ozono.

O HCFC-22 também é um supergás-estufa, 1.810 vezes mais potente do que o dióxido de carbono, e o seu subproduto HFC-23 o é 11.700 vezes mais. Contudo, as empresas indianas e chinesas acabaram produzindo mais desse gás e recebendo muito menos CRE do que os necessários, segundo uma pesquisa do painel de especialistas em metodologia do MDL.

Em junho de 2010 as organizações não governamentais ambientalistas CDM Watch, com sede em Bona, e Agência de Investigação Ambiental (EIA), de Londres, descobriram este flagrante mau uso do MDL e apresentaram provas.

“Os certificados de HFC-23 não representam verdadeiras reduções de gases-estufa”, disse via email Diego Martínez-Schuett, da CDM Watch. “E os seus compradores usaram essas falsas reduções como permissões para contaminar mais na Europa”. Os 19 projetos de destruição de gás industrial aprovados pelo MDL acumularam quase 500 milhões de créditos no valor de 3.300 milhões de dólares. Cerca de 90% deles inundaram a UE, e constituem mais de metade do total de compensações de emissões do bloco.

Entre 2009 e 2010, as corporações norte-americanas adquiriram quase um milhão de créditos de HFC-23 ao preço médio de 16 dólares a unidade. Desde então “gastaram” pelo menos 16 milhões de dólares em supostas reduções de emissões. A mesma conduta tiveram os seus competidores europeus, como as britânicas BP e British Shell, a alemã RWE, a norueguesa Statoil, o grupo italo-espanhol Enel, e a francesa EDF. As dez companhias transatlânticas mais conhecidas entre as cotadas na principal bolsa de valores mundial, a Nyse-Euronext, ingressaram 254 milhões de dólares em falsos créditos, sem contar os dados de 2011, ainda não divulgados. Em junho do ano passado, os reguladores europeus decidiram proibir estes CRE, mas a medida só será efetiva a partir de maio do ano que vem.

“A UE recebeu pressões dos investidores para adiar a proibição, inicialmente prevista para 1º de janeiro de 2013″, disse a ativista Natasha Hurley, da EIA.

No entanto, a porta continua aberta para que Dow, Shell e demais empresas contaminadoras adquiram outro 53 milhões de falsos CRE. As empresas norte-americanas asseguram que ignoravam a natureza ilegítima dos créditos de HFC-23 antes que a UE os descartasse.

O que importa agora é “o que farão os compradores desses CRE para legitimar as suas medidas de compensação”, advertiu Rob Elsworth, da Sandbag, uma organização não governamental que investiga a integridade do comércio de emissões e que somou as cifras usadas neste artigo para mostrar a implicação das empresa.

A pergunta foi feita a várias dessas companhias. “Nos últimos anos usamos esses CRE para cumprir”, respondeu o responsável de comunicação da filial da Dow na Bélgica, Holanda e Luxemburgo, Drea Berghorst. “Continuaremos a cumprir as normas, o que significa que deixaremos de usar os CRE de gás industrial em abril de 2013″, acrescentou. Chevron e Cabot responderam de modo semelhante, sem descartar a opção de comprar mais créditos de HFC-23 enquanto estiverem em circulação.

“A Chevron respeitou e continuará a respeitar todos os aspetos exigidos pelas normas europeias de comércio de emissões”, disse Sean Comey, assessor de comunicação na sede mundial da empresa, na Califórnia. A companhia valeu-se destes créditos para compensar emissões nos poços marinhos de petróleo que explora na Grã-Bretanha.

“Trabalhamos com um agente financeiro de prestígio, a JP Morgan, para comprar esses CRE e ordenamos que todos fossem certificados e válidos”, respondeu Vanessa Apicerno, especialista em relações com os média da sede central da Cabot, em Boston. Esta empresa usou os CRE para compensar a contaminação que geram as suas manufaturas de negro-de-fumo e termoplásticos na França e na Itália. A ConocoPhillips, que empregou os créditos para as suas refinarias na Grã-Bretanha e na Noruega, não quis fazer comentários. Agora, mais do que nunca, as empresas têm boas razões para usar dinheiro de acionistas em investimentos que agravam a mudança climática.

De facto, os intermediários tentam vender apressadamente os remanescentes destes CRE antes que se tornem lixo em 2013, e empurram os preços para baixo. Em fevereiro, as cotações eram de apenas 6 dólares a tonelada, depois de ter atingido um pico de 33 dólares.

“As empresas buscam a forma mais barata de cumprir as normas. Os atores do mercado são livres para terem as suas considerações éticas sobre como agir diante da mudança climática, mas o sistema é regido pela economia”, afirmou Richard Chatterton, analista dessa área da Bloomberg New Energy Finance. As estatísticas mostram que a diferença de preços importa mais do que a qualidade do certificado.

“Os CRE comuns (como os de HFC-23) ainda constituem mais de 95% dos volumes comercializados a futuro”, afirmou Sara Ståhl, diretora de mercados globais da Green Exchange, uma operadora da bolsa dedicada a derivados ambientais. “E são apenas 0,46 dólares mais baratos do que nossos CRE plus futuros (não HFC-23)”, acrescentou.

Considerando a quantidade adicional de CRE inflados admitida pela UE até o próximo ano, pode-se estimar que a economia para o mundo empresarial será de 24 milhões de dólares. A verdadeira discussão é se salvar estas moedas vale mais para as empresas do que salvar o mundo real do aquecimento.

Artigo publicado pela IPS, sob acordo com a Freereporter freereporter.info. Esta pesquisa contou com apoio do Fund for Investigative Journalism e da Society of Environmental Journalists.

Fonte: Esquerda.net.

O lixo que vira energia e crédito de carbono

Aterro Bandeirantes, em São Paulo, foi fechado em 2007. Mas as 40 milhões de toneladas de lixo enterradas lá podem ser usadas para gerar energia

Na superfície, uma paisagem bucólica, com grama verde, pequenos morros e algumas árvores de pequeno porte. Quem vê o campo, às margens da rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, não imagina que debaixo do gramado estão enterradas mais de 40 milhões de toneladas de lixo, espalhadas pelos 140 hectares do Aterro Bandeirantes. O aterro, administrado pela empresa Loga, funcionou entre os anos de 1979 até 2007. Nesse período, recebia metade de todo o lixo produzido diariamente em São Paulo.

O destino final do lixo orgânico é ainda um grande problema no Brasil. Todos os dias, mais de 190 mil toneladas de lixo são levadas para aterros, ou pior, lixões, em todo o país. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) diz que os governos têm até 2014 para acabar com todos os lixões, uma tarefa nada fácil, já que pelo menos metade dos municípios do país ainda destina seus lixos para lixões.

O técnico da Loga Álvaro Mitsuo Seriguti, que trabalha na administração do aterro, diz que a grande diferença entre lixões e aterros é que os aterros tratam o lixo para evitar contaminação do lençol freático ou da atmosfera. Isso porque o lixo se decompõe, gerando o chorume, um líquido poluente, e gás, principalmente metano, que polui e é 20 vezes pior para o clima da Terra do que o gás carbônico. A preocupação com o metano é tanta que não se pode, por exemplo, plantar árvores de grande porte no terreno do aterro, pois as raízes atingiriam os resíduos e poderiam liberar o metano na atmosfera.

Para capturar esse gás, o aterro Bandeirantes tem 400 pontos de captura, que retiram o metano que se forma com a putrefação do lixo, debaixo da terra, e leva para a Usina Termelétrica Bandeirantes. A usina, administrada pela empresa Biogás, aproveita esse metano, transformando o gás do lixo em eletricidade: a usina tem capacidade de fornecer energia elétrica para até 300 mil pessoas.

A Biogás faz parte de um programa de crédito de carbono. Como o metano seria liberado na atmosfera caso a usina não existisse, poluindo o ar e contribuindo para o fenômeno do aquecimento global, a usina e a prefeitura recebem dinheiro por evitar essas emissões. O ganho é duplo: financeiro, para a cidade e para a empresa, e ambiental para a sociedade. Anderson Alves da Silva, coordenador da Biogás, diz que, sem a usina, 80% do metano do aterro simplesmente sairiam para a atmosfera. Com a usina, apenas 0,01% polui o ar. “Só nesta manhã, por exemplo, nós deixamos de emitir até o momento 300 toneladas de CO2 equivalente”, disse.

Fonte: Época.

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