Primeiro sistema de informações geográficas de Tocantins é lançado

O Sistema WebGIS do Projeto Corredor Ecológico da Região do Jalapão foi inaugurado pela Seplan – Secretaria do Planejamento e da Modernização da Gestão Pública. O evento aconteceu no auditório da Semades – Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e contou com a presença de técnicos de ambas as secretarias e da JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão.

Denominado WEB GIS Geo Jalapão, a novidade é um Sistema de Informações Geográficas para internet (SIG-WEB) básico, gerado a partir de software livre, capaz de realizar consultas e análises simples, utilizando dados de temas diversos, nas áreas ambiental, de recursos naturais, de limites territoriais, de uso da terra e de infraestrutura, dentre outros. A página contém dados geográficos como recursos naturais e infraestrutura, informações institucionais e arquivos para download, entre outros.

O Sistema foi operacionalizado pela diretoria geral de Pesquisa e Zoneamento Ecológico-Econômico da Seplan, por meio da produção e sistematização de dados estruturados em sistemas de informação geográfica. Segundo o diretor geral, Joaquim Cifuentes, essa é a primeira ferramenta de disseminação de informações geográficas que o Estado está colocando à disposição da sociedade como um todo, além disso estão previstas outras iniciativas como essas. “Nós temos um projeto institucional que é uma ferramenta onde todas as secretarias do Estado irão disponibilizar informações e disseminar para toda a população. Isso está previsto para o próximo ano”, afirma Cifuentes.

As informações relativas ao Sistema Web GIS do Corredor Jalapão podem ser encontradas no site www.seplan.to.gov.br/corredorjalapao e tem livre acesso do público à informações com abrangência espacial nacional e estadual, produzidas por órgãos do Governo Federal e estadual, sendo mais um instrumento de acesso ao conhecimento de aspectos geográficos do território tocantinense.

De acordo com Manabu Kawakuchi, perito da JICA que desenvolveu a ferramenta, o projeto teve custo zero para o Estado. “Essa ferramenta GIS antes era muito cara, mas disponibilizando pela internet se torna gratuita e pode ser acessada por qualquer usuário.

Corredor Ecológico da Região do Jalapão
O projeto visa estabelecer um corredor ecológico para reforçar a preservação dos ecossistemas naturais que unem as Unidades de Conservação, promover a integração entre unidades e a população local, assim como incentivar as alternativas de desenvolvimento sustentável na Região. O WEB GIS Geo Jalapão vai orientar ao planejamento participativo das estratégias de uso sustentável dos recursos naturais.

O Projeto Corredor Ecológico da Região do Jalapão é uma iniciativa do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em cooperação técnica com a JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão, e vem sendo implementado com a colaboração da equipe da Seplan, Semades e Naturatins – Instituto Natureza do Tocantins.

Fonte: Governo do Tocantins.

Por uma educação ambiental de qualidade

Em Passo Fundo, escolas, secretaria do meio ambiente e grupos ecológicos realizam projetos voltados à conscientização ecológica

Questões relacionadas ao lixo, à poluição de rios e mares, reciclagem e a importância de conservar as florestas, tudo isso passa pela educação. Uma educação para o meio ambiente, ou seja, que leve a consciência dos direitos e deveres que toda a população deveria ter. Essa é grande tarefa que a humanidade tem a cumprir, despertando a consciência ecológica nas gerações futuras.

A educação ambiental é uma das áreas mais ricas em abordagens, filosofias e olhares que buscam melhorar a relação do ser humano com a natureza. Apesar de sua inegável importância frente à crise ambiental que vivemos, a educação ambiental tem demonstrado sua eficiência e impacto no tocante à construção de novos valores, mudanças de atitudes e comportamentos. Em parte, isso se deve aos projetos de educação ambiental nas escolas, grupos ecológicos e fóruns onde busca-se discutir formas de diminuição da poluição, caminhos que a população deve seguir para reverter a situação.



Secretaria
Segundo o secretário do Meio Ambiente de Passo Fundo Glauco Polita, existem aspectos inerentes à proteção do meio ambiente e cuidado com a destinação adequada dos resíduos domésticos, sendo uma questão de cidadania. Ele afirma que hoje a sociedade atual não tolera e nem permite o descaso com o ambiente seja na vida urbana ou rural. “Muitas vezes não nos damos conta dos impactos ambientais que causamos ao ambiente em que vivemos, percebemos somente quando estes impactos interferem diretamente em nossas vidas. A sociedade como um todo já desperta para o olhar coletivo e começa a compreender e se empenhar em traçar ações que oportunizem o benefício comum. Cuidados com o consumo consciente e o desperdício são umas das preocupações atuais”, disse.

Recentemente o Brasil aprovou a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos, onde traça diretrizes e responsabilidades para os geradores de resíduos, do doméstico ao industrial. “Todos temos obrigações e deveres a cumprir. Porém necessitamos reconhecer que não precisamos de lei que nos obrigue a fazer o que é correto e sim a sensibilidade e compreensão do que é certo, ético e responsável”, comenta Glauco.

Reciclagem
Junto ao aumento da população mundial e o crescimento da indústria, a quantia de resíduos orgânicos e inorgânicos também cresce. Devido a essa grande quantidade de lixo, reciclar se torna uma atitude cada vez mais fundamental para a manutenção da saúde do planeta e das pessoas.

O processo de reciclarem gera riquezas, já que algumas empresas usam o procedimento como uma forma de reduzir os custos e contribuir para a preservação ambiental.

Os materiais mais reciclados são: papel, plástico, vidro e alumínio. A coleta seletiva do lixo e a reciclagem são cada vez mais conhecidas em todo o mundo, uma vez que auxiliam na redução da poluição do solo, ar e água. O reaproveitamento do lixo acaba sendo oportunidade de negócio e geração de renda para inúmeras pessoas.

Veja alguns produtos que você pode reciclar:

Papel: jornais, folhetos, caixas de papelão, revistas e demais embalagens feitas de papel;
Vidro: garrafas, frascos de medicamentos e algumas embalagens de alimentos;
Plástico: garrafas PET, sacos plásticos, embalagens e sacolas dos supermercados;
Metal: latas de alumínio, de aço, tampas, cobre, alumínio, pregos, etc.

Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas
O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas existe de 1983 em Passo Fundo. São 29 anos de trabalho e luta para construção de uma cultura ambiental. Segundo a vice-presidente do grupo ecológico Flávia Biondo, o GESP procura trabalhar de uma forma diferenciada, conscientizando e fiscalizando as ações ambientais. “Um sistema que pressiona a produzir lixo, a descartar incorretamente, a invadir áreas de preservação permanente, a não preservar espaços importantes de preservação da flora e consequentemente da fauna, por isso o grupo vem trabalhando desde o principio para construção de uma cultura diferenciada, conscientizando e fiscalizando. Por isso conquistamos o respeito da comunidade”, afirma Flávia.

Segundo ela, a educação ambiental vem sendo regulamentada desde o nível federal e chega este ano inclusive dentro das universidades, sendo uma exigência para que todos os cursos tenham educação ambiental. Não sendo trabalhado como disciplina, mas se pensando em ações de cada um como profissional. “Porque a gente cobra das pessoas, cobra do poder público, mas o profissional dentro dos cursos superiores também deve ser cobrado, hoje o MEC vem exigir dentro do sistema de avaliação, que os profissionais que vão para o mercado de trabalho, tenham uma consciência ecológica e trabalhem de forma sustentável”, afirma Biondo.

O grupo ecológico tem um papel fundamental para construção dessa consciência, ações individuais, pequenas amostras, são iniciativas que dentro de um contexto se tornam importantes para estruturação da educação ambiental.

“Hoje o meio ambiente é essência, está sendo discutido por todos, isso é resultado que a comunidade está exigindo mais, afirma a vice-presidente do GESP.

Políticas Públicas
A Prefeitura Municipal de Passo Fundo, através de suas Secretarias Municipais tem buscado desenvolver diversas ações que possam auxiliar a minimizar os problemas e conflitos entre desenvolvimento e meio ambiente, onde primeiramente embasado no Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado – PDDI, que é o planejador do uso e ocupação do solo do território municipal, já previamente regra e tenta traçar as diretrizes que possam evitar possíveis danos ambientais e conflitos sociais.

Segundo o secretário do Meio Ambiente, Glauco Polita, tramita na Câmara Municipal de Vereadores o projeto de lei que cria a Política Municipal de Resíduos Sólidos Urbanos que buscará dar um “norte” e embasar o planejamento do gerenciamento dos RSU no município para os próximos 30 anos, com revisões a cada 2 anos. “Baseada nesta lei e com o Plano de Coleta Seletiva que está com o edital elaborado e aguardando a concordância do Ministério do Meio Ambiente, contrataremos consultoria para diagnosticar todo o universo dos resíduos em nossa cidade e buscar estabelecer metas futuras para o tema”, afirma o secretário.

Existe um projeto de expansão das cooperativas de recicladores, com o objetivo de oportunizar uma nova perspectiva de trabalho e geração de renda. Em outubro a prefeitura deve entregar dois novos pavilhões no bairro Donária e Bom Jesus equipados e prontos para a operação.

Educação nas Escolas
O Colégio Marista Conceição busca realizar aços na escola de educação ambiental, como palestras sobre a temática do “Lixo, um problema seu”, que aborda assuntos como poluição, consumo desnecessário e descarte consciente de lixo foram debatidos.

O Comitê da Cidadania contra a fome e a miséria juntamente com a Equipe 8 da Gincana do Colégio Marista Conceição está realizando uma campanha de arrecadação de lixo eletrônico em Passo Fundo. O material como fios, cabos, aparelhos eletrônicos em geral, unidades de CDs e DVDs, estabilizadores, monitores, telefones, celulares, CPUs e afins, se faz presente na casa de muitas pessoas, que não sabem como descartá-las e que agora terão uma oportunidade.

O material que for recolhido será revertido em benefícios à entidade e por isso, a equipe da escola está realizando a coleta até o dia 22 de setembro no Colégio Marista Conceição, quando será entregue ao Comitê de Cidadania. Informações podem ser adquiridas pelos telefones 81202714 com Ana Paula Nazzari, 99249592 com Vitória ou com Andressa 99264501.

Educação Ambiental, um aprendizado que deve fazer parte de todas as escolas

Cuidado com a Vida do Planeta nas escolas Notre Dame
A Rede de Educação Notre Dame tem a preocupação com o meio ambiente, sua preservação e revitalização, como um dos projetos estratégicos institucional. Com o nome de “Cuidado com a Vida do Planeta”, diferentes atividades ao longo do ano letivo efetivam o projeto.

Especificamente em Passo Fundo, o Colégio Notre Dame e a Escola Notre Dame Menino Jesus trabalham diretamente em ações com resultados palpáveis. A Cantata Natalina, promovida pelas entidades educacionais está cada ano voltando-se ainda mais para a questão da preservação ambiental. Este ano, todo o material impresso de divulgação e de promoção do evento, será em papel reciclado. Parte dos ornamentos natalinos da praça e dos adereços que as crianças apresentam nas janelas já é em material reciclado e sucata. O lixo que é recolhido da praça após as apresentações também é encaminhado para a reciclagem.

No Colégio Notre Dame acontece há cinco anos, a coleta de óleo de cozinha já utilizado. Neste período, calcula-se que pelo menos 10 mil litros de óleo de cozinha deixaram de ir para a natureza e foi reutilizado. Em um projeto que iniciou com a Bunge, a coleta deste material é permanente e hoje é destinada ao Projeto Transformação que reúne cooperativas de recicladores. Também a cantina da escola destina todo o óleo já utilizado para esta coleta.

As garrafas de refrigerantes (pet e alumínio) também são destinadas para a reciclagem, bem como todos os restos de papéis e rascunhos que são colocados nas lixeiras nas salas de aula.

Na Escola Menino Jesus, do aluno à direção, existe uma campanha de coleta e destino do lixo seco, em específico do papel. Uma vez coletado também é destinado ao Projeto Transformação que tem o apoio da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora.

Em ambas as escolas existe um trabalho contínuo em sala de aula. Os professores utilizam, em todos os níveis de ensino, sucatas e material reciclado para o desenvolvimento de trabalhos nas diferentes áreas de conhecimento: produção de maquetes, trabalhos artísticos, quadros e outras apresentações são produzidas com material reutilizado. A Rede de Educação acredita que para cuidar da natureza é preciso educar-se para cuidar de si e do seu corpo em primeiro lugar. A natureza enquanto extensão do próprio corpo também será cuidada por consequência.

Dia Mundial da árvore
No Brasil, há mais de 30 anos, comemora-se no dia 21 de Setembro o Dia da Árvore. Ele marca um novo ciclo para o meio ambiente e o tempo para se reforçar os apelos para a conscientização de todos em favor das questões ambientais.

A educação ambiental deve ser transformadora, ela deve trabalhar diretamente com a mudança comportamental. Quando falamos em mudança comportamental de uma sociedade, não devemos ser imediatistas, mas sim reconhecer que esta construção que deve ser coletiva, não acontece da noite para o dia, às vezes levam- se gerações, mas é extremamente importante para o futuro da humanidade e para a conservação das florestas, rios e mares.

Fonte: Diário da Manhã.

Educação ambiental e desenvolvimento Sustentável

Para comemorar o Dia da Árvore, o Sistema FAEPA/SENAR-PB realizou, entre os dias 17 a 21 de setembro, a Semana da Sustentabilidade. O evento englobou diversas ações em João Pessoa e Pedras de Fogo e teve como objetivo principal incentivar a produção agropecuária sustentável e a preservação do meio ambiente na Paraíba.

A Semana da Sustentabilidade faz parte do Programa Campo Sustentável (PROCAMPOS) lançado pelo Sistema FAEPA/SENAR-PB no ano passado com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da atividade agropecuária com sustentabilidade ambiental, social e econômica e divulgar as ações e projetos implementados pelo setor na Paraíba. “O produtor rural sabe que depende do meio ambiente para produzir. Ele tem consciência de que o equilíbrio ambiental é essencial para a produção e tem trabalhado com foco na sustentabilidade. O Procampos além de instruir também tem a missão de mostrar para toda a sociedade os exemplos de produção sustentável que temos, não só na Paraíba, mas em todo o país”, afirmou o presidente do Sistema FAEPA/SENAR-PB, Mário Borba.

A abertura das atividades da Semana, no dia 17/09, foi marcada pela instalação do Comitê de Consumo Consciente do Sistema FAEPA/SENAR-PB, que tem a missão de passar informações e dicas sobre a utilização inteligente dos recursos e disseminar ações que podem ser aplicadas no dia a dia, tanto no trabalho como em casa, para os colaboradores da instituição. “A palavra chave é atitude. A responsabilidade pela preservação é de cada um e começa com esforço individual e vigilância das nossas próprias atitudes. O objetivo do Comitê é incentivar a mudança que queremos ver em toda a sociedade aqui dentro da instituição”, afirmou o superintendente do SENAR-PB, Almiro de Sá Ferreira.

Na mesma ocasião, foram apresentados, pela Prof. Maria Camerina Maroja Limeira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), os resultados do Projeto Recuperação do Rio Gramame, desenvolvido desde 2010. “A Bacia do Gramame é responsável por 70% do abastecimento de água de João Pessoa e por isso sua preservação é essencial. Além do trabalho de conscientização da população que vive em torno das nascentes e rios, é preciso políticas públicas que tornem natural esta preservação”, afirmou Maria Limeira.

Manejo Florestal: Alternativa econômica ecologicamente correta
No dia 19/09, foi realizado na sede do Sistema FAEPA/SENAR-PB, o Seminário sobre Manejo Florestal Sustentável da Caatinga. O evento, que reuniu mais de 100 produtores rurais e representantes das principais instituições do setor rural do estado, teve o objetivo de apresentar o manejo florestal como alternativa econômica sustentável para as propriedades rurais. “O manejo nada mais é do que o aproveitamento da floresta, respeitando a legislação e de forma sustentável, para obtenção de renda extra. Para o meio ambiente, o retorno também é garantido, pois a técnica ajuda a recuperar áreas degradadas, aproveitar os recursos da forma correta, protegendo os biomas”, afirmou o presidente do Sistema FAEPA/SENAR-PB, Mário Borba.

O tema foi amplamente debatido com palestrantes como o chefe da Unidade Regional Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro, Newton Duque Barcellos, que falou sobre o manejo florestal para produção de biomassa e as oportunidades de mercado para este produto na Paraíba; o consultor e professor da Universidade Federal de Campina Grande, Lúcio Coutinho de Araújo, que passou orientações para elaboração de um projeto de manejo florestal e a importância de acompanhamento técnico, e o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Francisco Campello, que falou sobre o manejo como instrumento de combate à desertificação e alternativa de desenvolvimento local, apresentando iniciativas sustentáveis já existentes na Paraíba e outros estados do Nordeste.

De acordo com o diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro/MMA, Antônio Carlos Hummel, também presente no evento, o grande desafio dos produtores é usar a floresta de modo sustentável. “Não existe manejo sem capacitação. O segredo é aprender a dar uso à floresta, preservando o meio ambiente e simultaneamente, obtendo uma complementação de renda para a propriedade”, afirmou Hummel.

Na parte da tarde, os participantes receberam informações sobre as linhas de crédito disponíveis para apoio a programas como Agricultura de Baixo Carbono (ABC), FNE Rural e Pronaf. Para apresentar as opções de crédito ao produtor rural foram convidados o representante da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, que apresentou as linhas e condições de financiamento para o Programa ABC e o gerente executivo do Pronaf, Crédito Fundiário e Mini e Pequenos Produtores Rurais do BNB na Paraíba, Sílvio Marcos Carvalho, que apresentou a estratégia do Banco do Nordeste na organização de APL´s e na sustentabilidade de empreendimentos. O técnico da Embrapa Semiárido e coordenador regional do Projeto Biomas – Caatinga, Lúcio Alberto Pereira, apresentou o Projeto Biomas Caatinga, executado pela Embrapa, juntamente com a CNA.

Plantando respeito pela natureza
No dia 20/09, a equipe do Sistema FAEPA/SENAR-PB foi a Pedras de Fogo, para a realização da palestra “Educação Ambiental e Consumo Consciente” nas Escolas Municipais Dulcinete N. de Medeiros, na zona urbana, e Antonio César de Carvalho, na zona rural. O evento, que envolveu cerca de 200 crianças, teve como objetivo principal conscientizar as gerações futuras da importância da preservação da bacia do Rio Gramame, importante fonte de abastecimento de água na Paraíba, e mostrar como cada um pode contribuir para proteger o meio ambiente.

As palestras foram ministradas pela equipe do SENAR-PB e também pela pedagoga Silvana Pequeno da Silva, que levou até às escolas a personagem “Dona Flor”, que passou para as crianças, de forma lúdica e divertida, dicas para economizar água e energia, reciclar materiais e preservar a natureza, além de instruções de como cada um deveria plantar e cuidar das suas futuras árvores. “Assim como cada criança plantou uma muda na nascente, eu espero ter plantando uma sementinha de respeito e amor em cada uma delas”, disse Silvana.

Além das palestras, o evento, organizado em parceria com o Projeto de Recuperação de Nascentes do Rio Gramame da UFPB e a Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo, também contou com o plantio de aproximadamente 80 mudas de diferentes espécies de árvores nas nascentes Cacimba da Rosa e Nova Aurora.

De acordo com o superintendente do SENAR-PB, Almiro de Sá Ferreira, é preciso preparar as gerações futuras para a nova realidade que o mundo está vivendo. “As crianças precisam estar preparadas para este novo mundo, onde será necessário produzir cada vez mais para alimentar a população que cresce descontroladamente, respeitando sempre o meio ambiente e preservando os recursos naturais do planeta”, afirmou.

Distribuindo o verde
O encerramento da Semana da Sustentabilidade aconteceu no dia 21/09, às margens da Lagoa, em João Pessoa, com a entrega gratuita de cerca de 800 mudas de árvores nativas da região. Durante toda a manhã, a equipe do Sistema FAEPA/SENAR-PB distribuiu mudas e informação para a população que passava pelo Parque Sólon de Lucena.

“Esta ação é muito gratificante, pois além de distribuir árvores e conhecimento, temos a oportunidade de conversar com as pessoas e saber que, independente do motivo e da espécie da árvore, todas elas querem ajudar a construir um futuro mais verde”, afirmou a assessora da Presidência do Sistema FAEPA/SENAR-PB, Eudete Petelinkar.

Fonte: Porto Gente.

Educação ambiental se aprende dentro e fora da escola

Voltar às aulas após as férias não é nem pode ser encarado como um sacrifício. O convívio social e o aprendizado devem ser estimulados de maneira eficaz e – por que não? – divertida. Além de caderno, livros e lousa, uma das alternativas para escola e professores prenderem a atenção dos estudantes é promovida pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) através do projeto ‘Amigos do Planeta Terra’, desenvolvido desde 2008 pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).
Despertar em crianças e jovens que estão em processo educacional o interesse pelas questões do meio ambiente é o principal foco do projeto. Além de apresentar os serviços diários da empresa e seus reflexos no dia-a-dia do cidadão, divulgando as ações e programas idealizados pela Emsurb na capital, a equipe responsável pelo projeto conduz os alunos a uma caminhada ecológica pelo Parque Augusto Franco (Sementeira), mostrando todo o patrimônio da fauna e flora do local.

“Nosso trabalho é voltado a alunos do 3º ao 7° ano das escolas públicas e privadas. Os alunos cujas escolas participam das atividades têm uma palestra sobre meio ambiente, realizam uma visita ao Horto, à Oficina de Papel e depois à estufa que contém as plantas medicinais. As escolas interessadas podem solicitar a visita através de um ofício à presidência da empresa ou agendar ligando diretamente para o telefone (79) 3179-1225”, orienta a coordenadora de Desenvolvimento de Pessoal da Emsurb, Lara Guimarães.

Voltado à formação de uma geração consciente com os cuidados em relação ao meio ambiente, o ‘Amigos do Planeta Terra’ tem como objetivo conscientizar e apresentar aos estudantes os problemas causados à natureza pelo descarte inadequado do lixo, e como as ações de recolhimento nas ruas, encaminhamento ao aterro sanitário e separação correta dos resíduos colaboram para a saúde da população. Uma das principais temáticas discutidas nas visitas é a da coleta seletiva, para que as escolas possam desenvolver esse trabalho na própria instituição, com a colaboração dos alunos.

Ao sair da sala de aula e entrar em contato com a natureza, os alunos aprendem e observam de perto como cada cidadão pode contribuir com o meio ambiente. Com esse estímulo, crianças e adolescentes desenvolvem na prática uma ideologia ambiental consciente, que pode ser repassada adiante, para familiares e amigos. “Caso surja interesse por parte das escolas, elas podem encaminhar algum profissional ao treinamento da Oficina de Papel para que também se tornem agentes multiplicadores”, complementa Lara.

Fonte: Plenário.

Casas têm design inspirado em casulos e topografia vulcânica

Condomínio será construído na Coreia do Sul e deve ficar pronto em três anos

Com linhas arrojadas, originais e futurísticas, um conjunto de casas que começará a ser construído ainda neste ano tem o design inspirado nos casulos dos animais e na topografia vulcânica do local onde será instalado.

Localizado na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, o Jeju Cocoon House será erguido à beira-mar, com autoria dos profissionais do escritório de arquitetura Seul Planning Korea. Cada unidade terá 308 metros quadrados de área. O casulo está no centro das casas e, de acordo com os arquitetos, “cria um espaço como se fosse uma obra de arte, transformando a forma arredondada do casulo em uma estrutura de design ecológico.”

Conforme a temperatura interior e exterior e o nível de umidade do ar, as janelas circulares do casulo podem estar fechadas ou abertas, sendo que todo o condomínio formará um resort ambientalmente correto.

Permitindo paisagens diversas da natureza no entorno da ilha, as salas dos lados esquerdo e direito da estrutura são posicionadas em alturas e ângulos distintos, proporcionando um efeito em três dimensões.

As obras para construção das residências devem ter início em setembro deste ano, e a previsão para a conclusão é em 2015. O desenho surpreendente tem conquistado adeptos e prêmios no mundo inteiro.

Fonte: lugarcerto.com.br.

Mudanças climáticas podem fazer com que Amazônia emita carbono

Segundo o levantamento, nos anos de 2005 e 2010 a floresta deixou de cumprir sua função histórica de sequestrar gases-estufa e passou a liberá-los na atmosfera.

A ocupação desordenada da Amazônia compromete a qualidade dos rios, altera a quantidade de radiação solar que chega ao solo e, principalmente, compromete o maior depósito de carbono da planeta. Estes sintomas preocupantes, coletados nos últimos 20 anos, foram destrinchados em artigo publicado pela “Nature”.

Segundo o levantamento, nos anos de 2005 e 2010 a floresta deixou de cumprir sua função histórica de sequestrar gases-estufa e passou a liberá-los na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.

A transformação deveu-se à estiagem que acometeu a região — e que, segundo os modelos climáticos, ocorrerá com frequência crescente.

Assinado por pesquisadores do Programa LBA (o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), o trabalho culpa o processo desordenado de expansão da fronteira agrícola por mudanças naquele ecossistema.

Em partes da floresta, principalmente no Mato Grosso e no sul do Pará, os estragos causados pelo homem já seriam irreversíveis, a despeito do mecanismo de autodefesa desenvolvido pelo bioma.

— A Amazônia, ao longo de sua evolução, fez de tudo para estabilizar suas condições ecológicas — conta Paulo Artaxo, presidente do Comitê Científico internacional do LBA. — Se estiver seca demais, por exemplo, a floresta pode aumentar sua evaporação e, consequentemente, o volume de chuvas. Mas esses mecanismos têm um limite, e já teríamos chegado a esta marca em algumas áreas.

A estabilidade natural é particularmente comprometida pelas grandes estiagens, quando as queimadas aumentam a mortalidade de árvores.

Vale lembrar que a vegetação do bioma guarda 100 bilhões de toneladas de carbono, o equivalente a dez anos de emissões de combustíveis fósseis. Quanto maior a flora queimada, mais gases-estufa liberados — elevando, assim, a temperatura global.

Apenas 13 radares em toda a mata
Em 2005 e 2010, a floresta perdeu para a atmosfera cerca de uma tonelada de carbono por hectare. Nos anos sem seca, a Amazônia absorve 0,5 tonelada do gás por hectare — uma quantidade menor do que se pensava. Ainda assim, restringe o aumento da temperatura do planeta.

— As mudanças climáticas estão interagindo com o desmatamento, aumentando a tensão sobre a floresta — alerta Eric A. Davidson, cientista sênior do Woods Hole Research Center, nos EUA, e autor principal do artigo publicado pela “Nature”. — As fontes de combustão são maiores onde se criaram pastagens. Embora seja encorajador ver as taxas de desflorestamento caírem, ainda nos preocupamos com a elevada incidência de fogo. Esta fumaça afeta a saúde humana, a formação de gotas de chuva e, por isso, o clima.

A floresta não é afetada integralmente da mesma forma. Sua fração leste experimenta uma estação de seca todos os anos, reforçada em períodos de El Niño. As espécies de plantas lá encontradas adaptaram-se para aguentar uma estiagem moderada por um certo período.

Os solos profundos em diversas regiões fornecem armazenamento de água suficiente para que as árvores extraiam água durante um ou dois anos sem precipitações.

No entanto, o levantamento avaliou que uma parte do bioma, isolada para um experimento, não aguentou três anos com baixa quantidade de chuvas. Em outras palavras, a vegetação dificilmente resistiria a uma mudança climática mais severa.

Não é uma possibilidade remota, considerando a velocidade com que a Amazônia tem sido ocupada. Em 1960, a população no bioma era de 6 milhões; em 2010, pulou para 25 milhões.

— O processo desordenado de ocupação da floresta começou no fim dos anos 1970, e seus efeitos têm sido muito extensos — lamenta Artaxo. — Mas ainda não é possível concluir se o bioma passará por um processo de desertificação. Isso depende de inúmeros fatores, como a circulação atmosférica global e a mudança no fluxo d’água do Atlântico tropical para a selva.

O estudo das transformações climáticas da Amazônia esbarra em alguns poréns. O maior deles é a limitação de recursos e logística. Em todo o bioma, que se espalha por 5,5 milhões de quilômetros quadrados, há apenas 13 pontos de observação ambiental.

Artaxo defende a criação de um sistema que, além de criar novas redes, misture sensoriamento remoto com observações de campo, dando a floresta a importância que ela merece: a de uma região cuja saúde seja vista como um programa estratégico para o país.

— O Brasil está avaliando como o ecossistema pode ser transformado por políticas inadequadas de ocupação de solo — ressalta. — No entanto, a Amazônia, mesmo com todo o poder de absorver carbono, não salvará sozinha o mundo. O aquecimento será um problema enquanto o mundo não controlar a emissão de combustíveis fósseis.

Fonte: D24am.com.

Desafios do “tsunami de dados”

Se há alguns anos a falta de dados limitava os avanços da ciência, hoje o problema se inverteu. O desenvolvimento de novas tecnologias de captação de dados, nas mais variadas áreas e escalas, tem gerado um volume tão imenso de informações que o excesso se tornou um gargalo para o avanço científico.

Nesse contexto, cientistas da computação têm se unido a especialistas de diferentes áreas para desenvolver novos conceitos e teorias capazes de lidar com a enxurrada de dados da ciência contemporânea. O resultado é chamado de eScience.

Esse é o tema debatido no livro O Quarto Paradigma – Descobertas científicas na era da eScience, lançado no dia 3 de novembro de 2011 pelo Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI.

Organizado por Tony Hey, Stewart Tansley, Kristin Tolle – todos da Microsoft Research –, a publicação foi lançada na sede da FAPESP, em evento que contou com a presença do diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Durante o lançamento, Roberto Marcondes Cesar Jr., do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a palestra “eScience no Brasil”. “O Quarto Paradigma: computação intensiva de dados avançando a descoberta científica” foi o tema da palestra de Daniel Fay, diretor de Terra, Energia e Meio Ambiente da MSR.

Brito Cruz destacou o interesse da FAPESP em estimular o desenvolvimento da eScience no Brasil. “A FAPESP está muito conectada a essa ideia, porque muitos dos nossos projetos e programas apresentam essa necessidade de mais capacidade de gerenciar grandes conjuntos de dados. O nosso grande desafio está na ciência por trás dessa capacidade de lidar com grandes volumes de dados”, disse.

Iniciativas como o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), o BIOTA-FAPESP e o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) são exemplos de programas que têm grande necessidade de integrar e processar imensos volumes de dados.

“Sabemos que a ciência avança quando novos instrumentos são disponibilizados. Por outro lado, os cientistas normalmente não percebem o computador como um novo grande instrumento que revoluciona a ciência. A FAPESP está interessada em ações para que a comunidade científica tome consciência de que há grandes desafios na área de eScience”, disse Brito Cruz.

O livro é uma coleção de 26 ensaios técnicos divididos em quatro seções: “Terra e meio ambiente”, “Saúde e bem-estar”, “Infraestrutura científica” e “Comunicação acadêmica”.

“O livro fala da emergência de um novo paradigma para as descobertas científicas. Há milhares de anos, o paradigma vigente era o da ciência experimental, fundamentada na descrição de fenômenos naturais. Há algumas centenas de anos, surgiu o paradigma da ciência teórica, simbolizado pelas leis de Newton. Há algumas décadas, surgiu a ciência computacional, simulando fenômenos complexos. Agora, chegamos ao quarto paradigma, que é o da ciência orientada por dados”, disse Fay.

Com o advento do novo paradigma, segundo ele, houve uma mudança completa na natureza da descoberta científica. Entraram em cena modelos complexos, com amplas escalas espaciais e temporais, que exigem cada vez mais interações multidisciplinares.

“Os dados, em quantidade incrível, são provenientes de diferentes fontes e precisam também de abordagem multidisciplinar e, muitas vezes, de tratamento em tempo real. As comunidades científicas também estão mais distribuídas. Tudo isso transformou a maneira como se fazem descobertas”, disse Fay.

A ecologia, uma das áreas altamente afetadas pelos grandes volumes de dados, é um exemplo de como o avanço da ciência, cada vez mais, dependerá da colaboração entre pesquisadores acadêmicos e especialistas em computação.

“Vivemos em uma tempestade de sensoriamento remoto, sensores terrestres baratos e acesso a dados na internet. Mas extrair as variáveis que a ciência requer dessa massa de dados heterogêneos continua sendo um problema. É preciso ter conhecimento especializado sobre algoritmos, formatos de arquivos e limpeza de dados, por exemplo, que nem sempre é acessível para o pessoal da área de ecologia”, explicou.

O mesmo ocorre em áreas como medicina e biologia – que se beneficiam de novas tecnologias, por exemplo, em registros de atividade cerebral, ou de sequenciamento de DNA – ou a astronomia e física, à medida que os modernos telescópios capturam terabytes de informação diariamente e o Grande Colisor de Hádrons (LHC) gera petabytes de dados a cada ano.

Instituto Virtual
Segundo Cesar Jr., a comunidade envolvida com eScience no Brasil está crescendo. O país tem 2.167 cursos de sistemas de informação ou engenharia e ciências da computação. Em 2009, houve 45 mil formados nessas áreas e a pós-graduação, entre 2007 e 2009, tinha 32 cursos, mil orientadores, 2.705 mestrandos e 410 doutorandos.

“A ciência mudou do paradigma da aquisição de dados para o da análise de dados. Temos diferentes tecnologias que produzem terabytes em diversos campos do conhecimento e, hoje, podemos dizer que essas áreas têm foco na análise de um dilúvio de dados”, disse o membro da Coordenação da Área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

Em 2006, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) organizou um encontro a fim de identificar os problemas-chave e os principais desafios para a área. Isso levou a diferentes propostas para que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criasse um programa específico para esse tipo de problema.

“Em 2009, realizamos uma série de workshops na FAPESP, reunindo, para discutir essa questão, cientistas de áreas como agricultura, mudanças climáticas, medicina, transcriptômica, games, governo eletrônico e redes sociais. A iniciativa resultou em excelentes colaborações entre grupos de cientistas com problemas semelhantes e originou diversas iniciativas”, disse César Jr.

As chamadas do Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI, segundo ele, têm sido parte importante do conjunto de iniciativas para promover a eScience, assim como a organização da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Processamento e Visualização de Imagens Computacionais. Além disso, a FAPESP tem apoiado diversos projetos de pesquisa ligados ao tema.

“A comunidade de eScience em São Paulo tem trabalhado com profissionais de diversas áreas e publicado em revistas de várias delas. Isso é indicação de qualidade adquirida pela comunidade para encarar o grande desafio que teremos nos próximos anos”, disse César Jr., que assina o prefácio da edição brasileira do livro.

O Quarto Paradigma
Organizadores: Tony Hey, Stewart Tansley e Kristin Tolle
Lançamento: 2011
Preço: R$ 60
Páginas: 263
Mais informações: www.ofitexto.com.br

Fonte: Agora Vale.

Economia Verde

As contradições do discurso ambiental no cerne do sistema capitalista.

Dizer que determinada prática, produto ou empresa é ‘verde’ tornou-se quase um lugar-comum nos últimos anos: ‘verde’ qualifica aquele que se preocupa com o meio ambiente, com a preservação dos ecossistemas e com o futuro do nosso planeta como um todo. É quase como se tudo o que leve o selo ‘verde’ seja, por definição, positivo. Essa popularização do termo não ocorreu por acaso. Ela foi fruto da penetração cada vez maior da questão ambiental na agenda pública internacional. Não à toa, muitos dos debates feitos atualmente na área ambiental em âmbito global giram em torno da ‘economia verde’, concepção que tem sido adotada inclusive pela Organização das Nações Unidas (ONU) como resposta à crise econômica, ambiental e de escassez de alimentos.

Mas o que prega a economia verde, propalada como uma promessa de integração entre crescimento econômico, preservação ambiental e redução da desigualdade? E quais são os principais problemas que pesquisadores e movimentos sociais ligados à questão ambiental identificam nas suas propostas?

Correntes do ambientalismo
Por mais que seja difícil achar alguém que seja ‘contra’ a preservação do meio ambiente, não existe um consenso sobre qual é a melhor maneira de atacar o problema da degradação ambiental. O discurso da economia verde é apenas um dos que compõem o quadro do ambientalismo global, e, antes de falarmos especificamente dele, é necessário fazer um breve apanhado da historia e dos atores que compõem esse quadro.

Os diferentes discursos ambientalistas costumam ser agrupados em três correntes principais, de acordo com a postura que adotam em relação ao crescimento econômico. No livro ’O Ecologismo dos Pobres’, o economista catalão Joan Martinez Alier afirma que o ambientalismo, como movimento reivindicatório autoconsciente e organizado surge na transição do século XIX para o XX, nos EUA.

Chamada por ele de “culto ao silvestre”, essa primeira fase caracteriza-se pela postura de não contestar o crescimento econômico e os impactos ambientais dele decorrentes, defendendo, porém, a preservação e a manutenção de bolsões de natureza original fora da influência do mercado. Segundo Alier, a principal proposta política dessa concepção de ambientalismo consiste na criação de reservas naturais livres da interferência humana. “Essa corrente compreende que algumas áreas devem ser preservadas do acesso humano justamente pelos efeitos deletérios que as intervenções causam. Ela é importante para a história da ecologia por entender que manter áreas de preservação de florestas, por exemplo, é fundamental para a preservação da água e da atmosfera”, explica Alexandre Pessoa, professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).

As doutrinas dessa corrente, explica o livro de Alier, irradiaram-se dos EUA e Europa em direção à América Latina, Ásia e África, através das primeiras organizações ambientalistas transnacionais bem estruturadas, como a Worldwide Fund of Nature (WWF), a International Union for the Conservancy of Nature (IUCN) e a Nature Conservancy. Um dos principais fatores limitantes dessa corrente, diz Alexandre Pessoa, é o fato de que ela desconsidera a questão social na problemática ambiental. “Como o ser humano faz parte da natureza e estabelece relações de produção e sociais com ela, a ecologia exige uma equação para além das áreas de preservação”, analisa.

Crítica ao desenvolvimento e justiça ambiental
A segunda corrente ambientalista remonta ao final dos anos 1960, de acordo com Henri Acselrad, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No contexto das lutas sociais que marcaram o período na Europa e nos EUA, surge no movimento ambientalista um discurso contracultural, “que interpelava o consumismo sistêmico como projeto para a sociedade”, criticando a ideia de desenvolvimento no capitalismo, segundo Acselrad. “Nesta perspectiva, a própria qualidade do desenvolvimento estava sendo interpelada. Recursos biosféricos limitados deveriam ser utilizados, sim, mas apenas para os fins mais legitimados por um debate democrático, mais compatíveis com o que se pudesse entender por felicidade dos povos”, afirma.

Atualmente, segundo o livro de Joan Martinez Alier, esse ambientalismo contracultural pode ser encontrado no discurso dos movimentos afinados com a noção de ’justiça ambiental’. De acordo com o autor catalão, esse movimento surgiu entre membros da comunidade negra dos EUA, que perceberam que os impactos ambientais decorrentes do capitalismo não se distribuem igualmente entre as populações, já que os complexos industriais poluidores, os centros de deposição de lixo tóxico e outros perigos ambientais concentram-se nas áreas habitadas por populações pobres ou de minorias raciais. “Seu diagnóstico assinala que a desigual exposição aos riscos deve-se ao diferencial de mobilidade entre os grupos sociais: os mais ricos conseguiriam escapar dos riscos e os mais pobres circulariam no interior de um circuito de risco. Daí a ação decorrente visando a combater a desigualdade ambiental e dar igual proteção ambiental a todos os grupos sociais e étnicos”, explica Henri Acselrad. O discurso da justiça ambiental busca trazer à tona os conflitos socioambientais decorrentes da expansão dos processos produtivos capitalistas sobre os territórios.

Ecoeficiência
Uma terceira corrente é composta pelos ideólogos da ‘ecoeficiência’, que defendem o emprego da racionalidade técnica na mitigação dos impactos ambientais e riscos à saúde humana advindos das atividades industriais, da agricultura e da urbanização. Essa corrente, como explica Carlos Walter, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), no livro ‘A globalização da natureza e a natureza da globalização’, surgiu da incorporação, pelo capitalismo, de um discurso ambientalista que emergia das lutas sociais do final da década de 1960. Em 1972, explica, é publicado o relatório ‘Os limites do crescimento’, elaborado pelo Massachussets Institute of Technology (MIT), nos EUA, a pedido do Clube de Roma, criado por um grupo de executivos ligados a grandes transnacionais como a Xerox, Ollivetti, Fiat e IBM, entre outras. No documento, fica expressa a preocupação com o esgotamento dos recursos naturais caso se mantivessem as tendências de crescimento que prevaleciam na época. Dessa forma, escreve Carlos Walter, “o ambientalismo começou a ganhar o reconhecimento do campo cientifico e técnico e, com ele, o próprio campo ambiental começa a se fazer mais complexo, à medida que é captado por um discurso, como o técnico-cientifico, que era objeto de duras críticas pelo movimento da contracultura”.

Afinada com o discurso de desenvolvimento capitalista, a corrente da ecoeficiência introduziu no debate ambiental a ideia de ‘manejo sustentável’ da natureza, convertida em ‘recursos naturais’ ou ‘capital natural’. A principal preocupação dos adeptos dessa corrente está na desvinculação entre crescimento econômico e degradação ambiental. Foi ela que, no final da década de 1980, forneceu a base teórica para a formulação, pela ONU, do Relatório Bruntdland, que popularizou o conceito de desenvolvimento sustentável . Essa ideia, segundo Henri Acselrad, se preocupava principalmente em sustentar a base material do desenvolvimento. “Investia-se assim na busca de uma economia de meios, porém não se discutia a natureza dos fins para os quais estes meios eram mobilizados; ou seja, não se refletia sobre o conteúdo mesmo do projeto desenvolvimentista. Economizar matéria e energia por uma revolução da eficiência: eis o caminho que era assim proposto para prolongar no tempo um desenvolvimento que, em seus próprios termos, era inquestionado”, explica. Adotado por organismos multilaterais, governos e empresas poluidoras, esse ambientalismo, segundo Acselrad, tornou-se hegemônico. Essa visão “pressupõe um risco ambiental único e instrumental: o da ruptura das fontes de abastecimento do capital em insumos materiais e energéticos, assim como da ruptura das condições materiais da urbanidade capitalista – ou seja, o risco de inviabilização crescente da cidade produtiva, por poluição, congestionamento, etc. Dado esse ambiente único, objeto instrumental da acumulação de riqueza, a poluição é apresentada como ‘democrática’, não propensa a fazer distinções de classe”, afirma Acselrad, no artigo ‘Ambientalização das lutas sociais – o caso do movimento por justiça ambiental’.

E é exatamente essa corrente do ambientalismo, dizem os especialistas entrevistados pela Poli, que norteia as propostas da economia verde.

Serviços ambientais
O eixo central da economia verde, como explica Larissa Packer, assessora jurídica da organização não-governamental Terra de Direitos, são os chamados mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), que tentam solucionar os problemas ambientais a partir da lógica do mercado. “O PSA é um mecanismo para fomentar a criação de um novo mercado, que tem como mercadoria os processos e produtos fornecidos pela natureza, como a purificação da água e do ar, a geração de nutrientes do solo para a agricultura, a polinização”, escreve Larissa, no artigo ‘Pagamento por ‘serviços ambientais’ e flexibilização do Código Florestal por um capitalismo ‘verde’. “Para isso, é fundamental que exista possibilidade de valoração monetária, para viabilizar a comercialização e também a criação de leis que, por meio do estabelecimento de obrigações, criem a demanda para o mercado hoje inexistente”, diz.

Segundo Luiz Zarref, engenheiro florestal da Via Campesina, um dos braços do PSA é o chamado mercado de carbono. Criado pelo Protocolo de Kyoto, o acordo impôs metas aos países para a redução da emissão dos gases de efeito estufa. Ele também permitiu que os países poluidores passassem a comprar permissões e créditos de compensação das emissões acima do estabelecido dos países que estão abaixo do limite. Ao mesmo tempo, no interior dos países, as indústrias poluidoras podem comprar créditos vendidos por proprietários rurais. Zarref explica: “Na lógica da economia verde, a floresta presta o serviço ambiental de capturar o carbono que causa o efeito estufa. Então, digamos que um hectare de floresta captura 20 toneladas de carbono por ano. Aquele hectare vai ser convertido em títulos financeiros, que vão ser comercializados na bolsa de valores, equivalentes a esse montante”. Segundo ele, já existem bolsas de valores especificas para esse tipo de transação, nos EUA e no Japão, “mas elas não estão funcionando a pleno vapor justamente porque não existe uma regulamentação internacional sobre isso. É isso o que está sendo proposto agora” diz. Atualmente, discute-se a inclusão de mecanismos de PSA no texto do novo Código Florestal brasileiro, cujo projeto de lei tramita no Senado. “Um dos defensores dessa ideia é o senador Blairo Maggi, que é um dos maiores produtores de soja do país”, assinala Luiz Zarref.

De acordo com o texto de Larissa Packer, a proposta de atribuir valores monetários à natureza apresenta sérios problemas. O primeiro deles, diz ela no artigo, é que a inserção dos serviços ambientais no mercado gera um mecanismo perverso, em que quanto maior for a degradação, maior é o valor dos serviços ambientais. Além disso, ao não atacar fatores estruturais como a necessidade de produção sempre crescente, a comercialização de um volume cada vez maior de mercadorias e um consumo acelerado de recursos naturais e produção de resíduos, esses mecanismos só servem como um paliativo. “A agenda da economia verde”, aponta Larissa, “não prevê a modificação dos padrões de consumo e prevê estimular a mudança parcial dos padrões de produção unicamente por meio da atribuição de preço à biodiversidade e privatização dos bens comuns. Com isso, a sociedade não deixará seus modos destruidores, mas sim irá criar um novo mercado para regular essas atividades, gerando mais privatização dos valores sociais e ambientalmente gerados [...] A degradação, portanto, não diminui. Pelo contrário, a natureza se converte em produto do mercado, inclusive do mercado financeiro”.

Essa financeirização da natureza leva Carlos Walter a concluir que a economia verde é parte do problema, e não da solução. “Acho que estamos sendo seduzidos para um debate que surge de um problema real, que é a depredação dos recursos naturais e a desordem ecológica global, mas temos que ver que o problema é essa sociedade que transforma riqueza em dinheiro. O dinheiro é a medida da riqueza, ele não é a riqueza”, avalia.

Meio ambiente como ‘oportunidade de negócio’
Para Luis Zarref, a economia verde é uma tentativa do capital de se utilizar da questão ambiental para criar novas formas de acumulação. “Não há nada de debate ambiental no discurso da economia verde. O que se tem é a reengenharia de uma parte do capital para continuar acumulando lucro num período em que ele está em crise nas suas formas clássicas de acumulação”, diz. Segundo Zarref, com cerca de 250 milhões de hectares conservados em reservas indígenas e assentamentos de reforma agrária, o Brasil é um grande atrativo.

Zarref explica que algumas das propostas da economia verde já vêm sendo implementadas no país, com prejuízos sociais e ambientais enormes. “Na mineração, por exemplo, a grande discussão ambiental hoje é o chamado ferro gusa verde, que é substituição da madeira de desmatamento ilegal por eucalipto plantado nos fornos das siderúrgicas. Isso já está sendo feito no Pará, em Minas Gerais e no Espírito Santo”, afirma. Na lógica da economia verde, diz Zarref, “as empresas vão poder, além de utilizar o eucalipto para os fornos, dizer que estão reduzindo a emissão de gás carbônico do desmatamento, ganhando papeis de crédito de carbono para serem comercializados na Bolsa de Valores”. E destaca: “O que não aparece é que os eucaliptos estão expulsando agricultores, retirando terra que antes era voltada para a produção de alimentos e gerando pressão sobre terras indígenas, quilombolas e de populações tradicionais”.

Outra estratégia da economia verde que causa preocupação para Zarref é a de fomentar a produção dos agrocombustíveis, em especial o etanol, que a ONU inclusive cita como exemplo de sucesso. “Com isso você cria uma corrida por terras para plantar cana que vai causar um encarecimento das terras e inviabilizar a produção de alimentos, levando à expulsão de muitos agricultores para as cidades. Com a cana, você inviabiliza toda uma rede produtiva: fica impossível comercializar feijão, mandioca porque só tem compradores para cana, não há sistema de comercialização. Isso sem contar os impactos de desmatamento e de exploração do trabalho”, analisa.

Impactos desiguais do desenvolvimento
Marcelo Firpo, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), caracteriza a economia verde como uma tentativa de produzir consenso em torno do papel do mercado na preservação do meio ambiente. “A economia verde é uma tentativa, apoiada por vários organismos internacionais e governos, de buscar um consenso em relação ao que fazer para combater a crise econômica e ambiental. Esse consenso se dá através de cúpulas da ONU, que têm centrado fogo no tema das mudanças climáticas globais, mecanismos de mercado e continuidade do sistema capitalista atual”, afirma. Segundo ele, com isso, o sistema capitalista busca escamotear os conflitos que existem no campo ambiental em torno do sentido do desenvolvimento. “Isso significa que certas questões e temas sociais e ambientais não são discutidos na economia verde. Não há critica ao modelo de produção e consumo, ao desenvolvimentismo, ao comércio internacional desigual e injusto, à divisão entre centros e periferias do sistema capitalista e à divisão internacional do trabalho, que são característicos do processo de globalização”, diz.

A análise do ‘Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil’ , desenvolvido na Fiocruz e coordenado por Marcelo Firpo, dá a dimensão do impacto do desenvolvimento sobre os territórios e suas populações. “O mapa reúne denúncias de conflitos ambientais em decorrência desse modelo. Ele foi lançado há um ano com 298 conflitos e agora já são quase 400, alguns envolvendo vários municípios e mais de um estado. São milhões de pessoas no total, que estão sofrendo com a degradação ambiental causada por processos industriais, transposição de rios e hidrelétricas, por exemplo. Essas populações acabam impossibilitadas de reproduzir suas culturas e modos de vida de forma autônoma”, afirma Firpo. Segundo ele, esses são apenas alguns dos conflitos e dilemas que o discurso da economia verde procura ocultar, ao focar o debate ambiental sobre a questão das mudanças climáticas. “O conflito se dá porque a decisão pela instalação de grandes empreendimentos econômicos e intervenções nos territórios é tomada sem a participação das populações que habitam esse território”, destaca. “Eles envolvem, por exemplo, o agronegócio, a instalação de siderúrgicas, rodovias, hidrelétricas, portos e outros empreendimentos, que causam impactos ambientais e sociais enormes, e que não trazem benefícios para as populações das regiões afetadas”.

Alexandre Pessoa afirma que uma metáfora frequentemente usada pelo discurso ambiental hegemônico para sintetizar a questão das responsabilidades pela degradação do meio ambiente é a do avião: “Dizem que, se estamos todos no mesmo voo, temos que ser responsáveis pela condução desse avião. Esse discurso é desprovido de crítica, porque de fato estamos no mesmo avião, mas a direção dele não é feita pela sociedade, e sim por governos que têm interesses específicos e sobre os quais as transnacionais exercem um poder fundamental”, ressalta. E completa: “Se estamos no mesmo avião quem está na direção é um grupo minoritário, esse avião possui classes distintas, e um contingente significativo dos passageiros está sendo expulso sem páraquedas”.

Individualização da solução
Segundo Carlos Walter, ao dissociar os problemas ambientais da questão social, o discurso ambientalista da ecoeficiência, no qual a economia verde se baseia, também opera um exagero da responsabilidade individual sobre a degradação ambiental, focando-se no combate ao desperdício de matéria e energia. “Hoje há essa história de ‘faça sua parte’, como se o todo fosse uma soma de suas partes. E não é. O debate ambiental é quase esquizofrênico: o mundo está acabando, e a solução é plantar uma árvore”, critica. E conclui: “Há uma defasagem entre o diagnóstico e o caráter quase pueril da solução, porque você não enfrenta a questão de fundo, que é a economia mercantil capitalista com o poder cada vez mais concentrado nas grandes corporações”. Ele também critica o papel de algumas ONGs ambientalistas, que dependem do financiamento de empresas e governos, na disseminação de um discurso ambiental despolitizado. “As ONGs surgem estimuladas pelos próprios governos e pelo Banco Mundial. Ao mesmo tempo em que operam um desmonte dos governos, acabam com direitos universais para atuar ‘a la carte’”, diz. Segundo ele, com o desenvolvimento tecnológico dos últimos 30 anos, a capacidade de emprego do capitalismo diminuiu muito. “Então há muitas pessoas formadas na universidade que não encontram emprego e acabam indo trabalhar em uma ONG, sem carteira assinada, vivendo de projeto em projeto. Assim você estimula toda uma economia precária, só que eivada de uma ideia de ativismo, em que se combate o efeito estufa trabalhando para a Shell”, aponta. Ironizando o poder de convencimento que esse discurso ideológico vem alcançando, Alexandre Pessoa conclui: “Acreditar em economia verde é como acreditar em tigre vegetariano”.

Rio+20: especialistas veem problemas nas propostas da ONU para o meio ambiente
A cidade do Rio de Janeiro sediará, entre os dias 4 e 6 de junho de 2012, a Rio+20. O evento acontecerá 20 anos após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ou Rio 92, que reuniu 108 chefes de Estado na cidade para discutir ,aneiras de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

A convenção do próximo ano terá como objetivo, segundo a ONU, “garantir um compromisso renovado em nome do desenvolvimento sustentável, avaliando o progresso obtido até o presente e as lacunas remanescentes na implementação dos resultados das maiores cúpulas de desenvolvimento sustentável, abordando desafios novos e emergentes”. Os debates terão como foco dois temas: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza e o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentável.

Pesquisadores ouvidos pela Poli, no entanto, já veem problemas na proposta da Rio+20. “Esse termo, ‘desenvolvimento sustentável’, vem servindo a vários interesses ao longo dos anos, inclusive para justificar políticas públicas que estão na contramão do próprio conceito, para fazer propaganda da responsabilidade social de empresas. Essa polissemia cria confusão e tem mais um apelo retórico, midiático e propagandístico de interesse de mercado”, afirma Lia Giraldo, pesquisadora do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CpqAM/Fiocruz Pernambuco).

Para Luiz Zarref, o objetivo da conferência é incentivar entre os paísesmembros a criação de mecanismos para a transformação dos processos naturais em mercadorias negociáveis. “Para reduzir o efeito estufa, por exemplo, o que está sendo discutido é o avanço do mercado de carbono, que é basicamente pagar para que não se desmate. Não se discute a criação de uma governança internacional que proíba a emissão de gases poluentes, o desmatamento, o agronegócio”, critica. Segundo ele, a Rio+20 reflete o avanço da influência do mercado sobre a conformação dos Estados nacionais. “É nítido o avanço da lógica de mercado dentro dessas convenções. A Rio 92, por exemplo, foi caracterizada por criar uma relação entre o Estado e a sociedade. Ao longo dos anos, houve uma substituição do Estado pelo mercado, sob o discurso de que o Estado é falido, é corrupto”, afirma Zarref.

Essa é também a análise da ONG canadense ETC Group, uma das maiores críticas da Rio+20. Em um de seus relatórios sobre a conferência, a organização ataca o que entende como uma tentativa de excluir a maioria da população do debate ambiental. “Na ausência de debates entre governos e envolvimento da população, a ideia de que uma ‘economia verde’ sustentável é o meio para desenvolver e usufruir dos recursos biológicos e naturais [...] pode se tornar a maior apropriação de recursos dos últimos 500 anos”, alerta o relatório.

Para o Brasil, defende Lia Giraldo, a Rio+20 deveria ser uma oportunidade para discutir temas como a justiça social e ambiental no campo, reforma agrária, proteção de florestas, impactos ambientais e sociais das atividades industriais e incentivo à agricultura familiar. “Mas esses são temas que vão de encontro ao modelo de desenvolvimento brasileiro, que obedece aos lobbies do agronegócio e da indústria química. Corremos o risco de repetir o mesmo discurso desenvolvimentista da década de 1970, apesar de termos hoje uma legislação mais avançada na área ambiental”, aponta. É nesse sentido que Alexandre Pessoa espera que a Fiocruz e o Ministério da Saúde contribuam para os debates. “Temos um papel fundamental na Rio+20, não só na questão ambiental, mas também no debate do modelo de desenvolvimento, que tem de ser envolvido por todo o setor da saúde. Estamos discutindo temas transversais, como promoção da saúde, controle social, impactos nos territórios dos sistemas de produção e seus reflexos no SUS”, explica.

Paralelamente, organizações da sociedade civil se mobilizam para realizar a Cúpula dos Povos Rio+20, que deve acontecer simultaneamente à conferência da ONU. O evento deve reunir movimentos sociais, ONGs e fóruns e, segundo seus organizadores, pretende apresentar alternativas ao debate ambiental, tirando o foco do mercado e dos governos.

Fonte: Ecoagência.

Baixada Santista ganha atlas ambiental e socioeconômico

Pesquisadores da USP desenvolvem aplicativo para facilitar e acelerar o licenciamento de novos empreendimentos e operações na área litorânea, por conta da exploração do pré-sal e da duplicação da capacidade do Porto de Santos A Baixada Santista (SP) deve receber nos próximos anos uma série de investimentos por conta do início da exploração da bacia do pré-sal e da duplicação da capacidade do Porto de Santos.

Uma ferramenta de geotecnologia desenvolvida no Laboratório de Geoprocessamento da Engenharia de Transportes da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) facilita e acelera a tomada de decisão para licenciar novos empreendimentos ou operações na área litorânea da região.

Em fase de desenvolvimento, o aplicativo, denominado“Atlas ambiental e socioeconômico da Baixada Santista”, começou a ser construído em 2006, com apoio da FAPESP por meio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas.

Atualmente, para avaliar os impactos da construção de um empreendimento ou início de operação industrial ou portuária (dragagem do canal, por exemplo) em zonas costeiras marinhas, os gestores públicos utilizam uma série de relatórios digitais ou impressos com enorme variedade de dados, podendo ultrapassar 15 volumes, que não apresentam conexão clara entre os temas.

Para facilitar e acelerar esse processo, os pesquisadores desenvolveram um Atlas, baseado em mapas temáticos, associado a um banco de dados georreferenciado da área litorânea da Baixada Santista. A ferramenta integra informações sobre meio ambiente, usos culturais e socioeconômicos da região em uma única plataforma, de fácil acesso e em linguagem simples, para melhorar o trabalho dos gestores públicos.

Por meio do Portal podem ser acessados tabelas, gráficos, vídeos e mapas de uma determinada área da região em que se pretende construir um novo empreendimento. Cruzando mapas sobre diferentes temas de interesse, é possível avaliar se o ecossistema suporta tal construção.

“É possível, por exemplo, clicar em uma determinada região do mapa para saber os níveis de contaminantes e verificar se está acima ou no limite do permitido pela Cetesb [Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental]”, disse Silvia Sartor, coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.

Segundo ela, a ferramenta de gestão ambiental e socioeconômica é inédita e poderá ser aplicada em qualquer área, mesmo não se tratando de zona marinha costeira.

Antes de desenvolvê-la, Sartor participou da construção do Atlas de Sensibilidade Ambiental ao Óleo da Bacia Marítima de Santos para a Petrobras e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Por meio dessa experiência, a pesquisadora verificou na prática a dificuldade de se obter dados de pesquisas prévias, além da fragmentação e da falta de disponibilização e padronização das informações sobre a zona costeira da Baixada Santista.

“Como não há empresa interessada em estudar o canal de São Vicente, por exemplo, que é uma área que não está industrializada, há uma enorme escassez de dados sobre aquela região”, disse.

“O único estudo prévio no Canal de Navegação do Porto de Santos disponível sobre macrobentos, grupo da fauna que é indicador de impacto ambiental, havia sido realizado em 1979. Um novo estudo só foi realizado em 2006-2008, para apoiar a pesquisa voltada a avaliar o impacto ambiental do aprofundamento do Porto de Santos, que gerou cerca de 19 volumes”, exemplificou.

Mapas temáticos
Com base na experiência adquirida, Sartor decidiu realizar um projeto de avaliação de impacto ambiental e socioeconômico na região mais amplo e com linguagem mais simplificada, de forma a possibilitar que o gestor público possa visualizar os indicadores ecológicos para tomar decisões sobre a aprovação ou não de novos empreendimentos ou operações na região.

Para isso, contou com parcerias de órgãos públicos, como o MMA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Cetesb, que disponibilizaram os dados, e as empresas Imagem Soluções Espaciais e Esri, que forneceram o software, para gerar os mapas temáticos.

Sartor também recorreu a pesquisadores de diversas áreas, como biologia, ecologia, oceanografia, ciências humanas e da computação para interpretar e padronizar os dados.

“Cada tema do mapa necessita do envolvimento do especialista na área para definir padronizações que possibilitam comparar dados provenientes de diferentes estudos. E isso é bastante complexo”, disse.

Atualmente, o grupo está desenvolvendo um site na internet para facilitar o acesso aos dados e buscando patrocínio para as próximas fases do projeto. “A ferramenta já está em uma fase de construção que possibilita demonstrar sua capacidade para as agências licenciadoras como Ibama e Cetesb. Espera-se chamar o interesse dessas agências pela eficácia da ferramenta no acesso e visualização de informações, estimulando-as a exigir que os novos Estudos de Impacto Ambiental ou Relatórios de Impactos ao Meio Ambiente, elaborados por empresas que visam ao licenciamento de seus empreendimentos na região, sejam desenvolvidas nesse novo formato”, disse Sartor.

Fonte: Agência Fapesp.

Água depende das APPs

Estudo comprova importância das Áreas de Preservação Permanente na manutenção dos recursos hídricos

Um estudo produzido por analistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), comprova: a preservação das APPs (Áreas de Preservação Permanente) são fundamentais para manter a qualidade da água. Ou seja, a manutenção da faixa marginal de 30 metros em córregos demonstra que a zona ribeirinha, onde ficam as APPs, são primordiais.

O trabalho, intitulado “Influência do uso e ocupação do solo na qualidade da água: um método para avaliar a importância da zona ripária”, demonstra uma alta correlação entre a preservação da vegetação nas ribeiras e a manutenção de uma boa qualidade da água, mesmo em cursos d’água considerados pequenos, com menos de 10 metros de largura. O estudo foi realizado na região da Floresta Nacional de Canela, localizada no município de Canela, na serra gaúcha nos anos de 2006 e 2007.

“Os dados se referem ao bioma Mata Atlântica – Floresta de Araucárias mas o método que estabelecemos poderá ser implementado nos outros biomas”, explica Raul Paixão Coelho, analista ambiental do ICMBio e um dos autores do estudo. O método de pesquisa incorporou as técnicas de sensoriamento remoto para análise da condição de uso das áreas riparias com modernas técnicas de análises físico-químicas da água. “Fizemos a avaliação do estado de conservação e uso do solo de todas as bacias de drenagem com uso de imagens orbitais e verificações à campo”, destacou o pesquisador Iuri Buffon, tecnólogo em meio ambiente da UERGS.

A doutora em Geoquímica Ambiental, Teresinha Guerra, do departamento de Ecologia da UFRGS, explica que não há novidade em se saber que a mata ciliar é “importantíssima” para uma boa qualidade da água, pois diversos autores já demonstraram isso. A novidade, segundo ela, é que o método utilizado pode esclarecer dúvidas sobre a largura mais adequada a ser estabelecida para preservação.

“Quando utilizamos 30 metros de largura de APP (Área de Preservação Permanente), como preconiza a atual legislação, já encontramos em nossa pesquisa uma alta correlação entre vegetação ciliar e qualidade da água. Pode-se agora replicar a pesquisa e ver quais as consequências com a diminuição para 15 metros ou com um aumento”, diz Guerra.

Fonte: EPTV.com.

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