Georreferência apoia gestão de cidades

Informações geográficas associadas a bancos de dados subsidiam gestores públicos na tomada de decisões para gerenciamento de imóveis, obras e serviços
Obras em Minas Gerais fiscalizadas por informações georreferenciadas do GeoObras
Órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal têm começado a fazer uso de informações georreferenciadas. O motor por trás dessa movimentação é o avanço das tecnologias envolvidas, com destaque para as técnicas de mapeamento e os sistemas capazes de lidar com a explosão de dados (big data), um fenômeno que caracteriza a atual era da informação.

Comportando inúmeras definições, o georreferenciamento pode ser entendido como técnica que atribui a um determinado mapa ou planta um sistema de coordenadas, que é ligado a um referencial. “Isso possibilita a extração de posições e medidas dos elementos existentes nas plantas e mapas”, diz o especialista Luis Antonio de Lima, que faz mestrado em georreferenciamento direto de imagens aéreas e comanda a diretoria técnica da Fototerra.

O conceito também pode ser definido como uma área do conhecimento que, por meio de grande número de tecnologias, fornece coordenada que aponta, no globo terrestre, localização, pontos de referência e elementos próximos, entre outras informações.

O coração do georreferenciamento é a tecnologia Global Navigation Satellite Systems – GPS ou GNSS. De acordo com Lima, hoje não se pode falar em georreferenciamento sem a utilização desses sistemas GNSS, que são classificados como de navegação em terra ou mar e geodésicos.

Os GNSS de navegação têm, em geral, baixa precisão de posicionamento e baixo custo. Já os geodésicos são mais dispendiosos, atingem precisões na casa do centímetro e podem valer-se de outras tecnologias, como aparelhos que medem distâncias e ângulos, possibilitando a criação de sistema de referência dos elementos levantados.

O geoprocessamento abrange diversas tecnologias de análise, coleta, armazenamento e processamento de dados geográficos. Entre essas tecnologias, destacam-se sensoriamento remoto, digitalização de dados, automação de tarefas cartográficas, Sistemas de Posicionamento Global (GPS) e Sistemas de Informação Geográfica (SIGs).

Especialistas, entre eles Lima, acreditam que, com as tecnologias já desenvolvidas e disponíveis, os maiores desafios em projetos da natureza são os seus custos de aquisição e a escassez de capital humano qualificado. O cálculo do custo dos projetos é difícil porque leva em conta fatores múltiplos, como grau de precisão, nível de detalhamento e tamanho do projeto, mas em um ponto a opinião dos entrevistados converge: são projetos caros.

Benefícios para a gestão pública
No setor público, os exemplos de benefícios trazidos pelo georreferenciamento tecnológico são incontáveis. A começar pela sofisticação do cadastro técnico multifinalitário, utilizado por prefeituras para gerenciar imóveis existentes e futuras implantações imobiliárias. Na evolução dessa ferramenta, todas as informações oriundas de mapas ou cartas analógicas passaram a ser manipuladas por SIGs, cujas informações são georreferenciadas e ligadas a um banco de dados.

Isso significa, conforme explica Lima, que os elementos que compõem a estrutura de uma cidade, seja em sua parte urbana, seja em sua parte rural, hoje estão registrados por meio de sistema que contém uma componente geométrica (como um desenho de um lote ou quadra) e outra componente alfanumérica (nome do proprietário e área do lote, por exemplo).

Outros exemplos de aplicações de SIG cobrem as mais diversas áreas de atuação pública, com maior ou menor complexidade, dependendo do escopo e tamanho do investimento. Destacam-se a definição de imóveis que não cumprem sua função social, identificação de locais que possuem alto índice de imóveis subutilizados, cruzamento de dados espaciais com dados socioeconômicos para orientação de políticas públicas, definição dos melhores locais para a implantação de equipamentos urbanos e comunitários (postos de saúde, creches, hospitais, escolas, aterros sanitários, aeroportos, pontes etc.) e dados para análise ambiental, possibilitando o controle de áreas desmatadas, entre várias outras.

A escolha da técnica de georreferenciamento está relacionada com o nível de precisão buscado no projeto. Por exemplo, o cadastro urbano – em que são computados valores de impostos com base no tamanho do lote, na área construída e nas benfeitorias locais – não admite erros de precisão acima do metro, sob pena de gerar prejuízo financeiro tanto para o proprietário, quanto para o órgão arrecadador. Já um sistema em tempo real de controle de transporte público pode comportar uma maior margem de erro, segundo Lima.

Uma das técnicas mais utilizadas nesses projetos é o aerolevantamento, que consiste na execução de voo com câmera aérea fotogramétrica. As imagens são posteriormente georreferenciadas por meio de GNSS, gerando as cartas e os mapas georreferenciados. O uso de SIGs para ligar as informações gráficas a informações alfanuméricas contidas em bancos de dados específicos permite a criação de mapas temáticos, que são utilizados para a tomada de decisão de setores públicos específicos.

Informações georreferenciadas da cidade de Porto Alegre permitem geração de mapas com informações específicas por região, como domicílios com esgotamento sanitário adequado e números de estabelecimentos de saúde Porto Alegre
Um caso de uso adiantado do geoprocessamento em prol do município é o de Porto Alegre. A atividade ganhou impulso na capital gaúcha a partir de 2005, na esteira dos investimentos da prefeitura em infraestrutura de rede e capacidade computacional.

Éberli Riella, gerente de tecnologia e serviços da Procempa, empresa de TI da cidade de Porto Alegre, informa que todo o espaço geográfico da cidade já está espacializado e com todos os seus elementos aptos a serem geridos. “Fizemos um voo aéreo fotogramétrico e as imagens foram acopladas aos mapas das diversas regiões, de forma que qualquer elemento novo, seja casa, obra ou rua pode ser facilmente identificado pelo gestor”, diz ele, acrescentando que, “atualmente, todas as áreas da administração municipal alimentam o banco de dados e se alimentam dele, gerando mapas temáticos customizáveis, acessíveis por meio de portal nos moldes do Google Maps”.

Riella diz que a infraestrutura que permite as aplicações avançadas de georreferenciamento no dia a dia da administração municipal inclui datacenter próprio, que centraliza servidores e bancos de Oracle e armazenam grande volume de informações. Ali, elas são processadas e distribuídas para os cerca de 400 prédios públicos da cidade, interligados por 800 km de fibras ópticas e tecnologia sem fio. O órgão mantém uma equipe de dez especialistas dedicados ao georreferenciamento, além de dezenas de outros profissionais que alimentam o banco de dados a partir dos sistemas integrados dos órgãos e das secretarias.

O arsenal tecnológico da Procempa na área de georreferenciamento inclui mix de softwares proprietários e de código aberto. “Criamos uma área específica para supervisão de geomática, para incorporar ao datacenter todas as tecnologias de cartografia, devolvendo aos usuários dados em forma de relatórios especializados e mapas temáticos”, diz o gestor. Ele assegura que qualquer gestor público com qualificação mediana pode acessar um mapa temático e ter facilitadas suas tomadas de decisão.

Para ilustrar as facilidades trazidas pela tecnologia, o executivo informa que hoje um funcionário da Prefeitura de Porto Alegre encarregado de abrir um cano de água enterrado sabe exatamente sua localização e profundidade. “Porque o departamento responsável pela captação e distribuição de água está com suas atividades 100% geoprocessadas, o que significa que o sistema enxerga toda a canalização subterrânea com base em sua posição geoespacial”, diz.

Riella não precisa o valor que a Prefeitura de Porto Alegre já despendeu para atingir o estágio atual em termos de georreferenciamento, mas adianta que se trata de investimento grande e complexo. “Nem sempre é compatível com o orçamento e com a capacitação dos recursos humanos de pequenos municípios”, diz.

Uma alternativa para orçamentos menores, em sua avaliação, seria a formação de consórcios entre municípios pequenos para montar e compartilhar datacenter e serviços. “Outra tendência é contratar serviços por meio da computação em nuvem, em lugar de gastar com pessoal capacitado e infraestrutura”, diz o executivo.

GeoObras
Um exemplo de compartilhamento de recursos de georreferenciamento que beneficia municípios de qualquer porte é o GeoObras, um SIG que permite controle externo de obras e serviços de engenharia executados por Estados e municípios. O instrumento foi criado pelo Tribunal de Contas do Mato Grosso (TCE-MT), mas já está sendo utilizado por diversos Estados, como Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Rio de Janeiro.

A ferramenta do TCE-MT permite inserção, em banco de dados, de fotografias convencionais georreferenciadas, imagens de satélite e dados físico-financeiros oriundos de documentos de licitação, contratação e execução da obra, entre outros. Quem alimenta o sistema são os próprios órgãos municipais e estaduais (jurisdicionados) responsáveis pelas obras. Por meio de um módulo de acesso específico, eles enviam pela internet informações e documentos relacionados com todas as etapas das obras e dos serviços de engenharia.

Os dados requeridos pelo GeoObras incluem descrição e localização de pontos georreferenciados (definidos por coordenadas geográficas). Em obras grandes e lineares ou que ocupem grandes áreas, como, por exemplo, linhas de transmissão, redes de abastecimento, rodovias, barragens e campos de irrigação, o usuário insere pontos que permitam definir o contorno ou o caminhamento da obra e também pontos de interesse, como início de trechos, estacas, locação de unidades ou equipamentos especiais, áreas diferenciadas, pontos críticos etc.

No TCE-MG, onde o GeoObras está em fase de implementação, o coordenador do setor de fiscalização de obras e serviços de engenharia do órgão, Luiz Henrique Starling, destaca como diferencial do sistema o fato de que, embora tenha função principal de facilitar as auditorias do TCE, ele também incrementa a gestão das secretarias municipais, não importa o tamanho da cidade, uma vez que os jurisdicionados do TCE (todos os órgãos municipais e estaduais sob jurisdição do Tribunal) têm módulo próprio para acesso via web (assim como todos os órgãos públicos de controle que são parceiros do TCE e os cidadãos).

“A população tem acesso às obras e pode, inclusive, fazer comentários e enviar imagens e denúncias caso identifique no sistema informações que não batem com a obra que ele vigia em seu município”, diz o especialista.

A implementação do GeoObras conta com a parceria com o Instituto de Geociências Aplicadas (IGA) e o Governo Estadual ajuda a alimentar o banco de dados com aquisição de imagens via satélite e fotos tiradas por fiscais nos canteiros de obras.

Em Minas Gerais, o GeoObras ainda está em fase de teste em 66 municípios e duas empresas estatais, mas Starling já vislumbra todo o seu potencial. “Numa obra de infraestrutura em uma estrada, é possível, dependendo da resolução de imagens, fazer medidas e inferências, comparar detalhes com informações prestadas pelo jurisdicionado ou mesmo confirmar se uma obra remota de fato existe”, ilustra.

A expectativa dos idealizadores do GeoObras é que o aprimoramento constante do sistema permita atualizações em um ritmo tal que o acompanhamento detalhado das obras ocorra em tempo real. A tecnologia já oferece capacidade para tanto, eles dizem, mas o avanço depende de investimentos.

Secretarias de obras
No site do TCE, é possível encontrar imagens (fotos e satélite) de obras em andamento. Basta indicar o município e o órgão responsável, e escolher em imagens para localização. No detalhe, foto satélite da ampliação e reforma do terminal de passageiros do Aeroporto municipal de Sinop, no Mato GrossoNa percepção do gerente de marketing e produto do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Carlos Alberto Previdelli, o georreferenciamento no setor público ainda se restringe a áreas específicas e carece de integração de sistemas e de informações. Mas ele enxerga a forte expansão da tecnologia no setor, sobretudo o seu uso associado com fotos de satélite para acompanhamento de grandes obras, como usinas e estádios. “Todo o rodoanel de São Paulo foi acompanhado por tecnologia geoespacial”, lembra o executivo do CPqD, empresa que tem o seu sistema modular GeoMunicipal implantado em cidades como as paulistas Campinas e Osasco, entre outras.

Segundo Previdelli, por meio de módulo específico para secretarias de obras, a inserção de informações e imagens de satélite de tempos em tempos permite acompanhamento macro da obra. “O software não se destina a acompanhamento passo a passo da engenharia, mas oferece cronograma para acompanhamento macro da obra, com informações visíveis a todas as demais áreas”, explica.

O executivo admite que montar um sistema integrado é um desafio complexo, porque requer conhecimento de toda a logística de uma prefeitura, além de leis, normas etc. “Não são projetos que envolvem apenas software, mas também digitalização e reaproveitamento de dados, montagem de processos e integração com outros sistemas, entre vários outros esforços”, diz Previdelli.

Mapa detalhado de Campinas com dados vetoriais e imagem de satéliteDependendo do caso, ele salienta, é preciso fazer todo o trabalho de coleta de informações nas várias áreas, contratar parceiros e fazer novos voos sobre a cidade para levantar informações atualizadas e montar mapa de referência. “É um processo pesado”, diz o executivo, acrescentando que o custo final depende de muitas variáveis, entre as quais, o número de funcionários que usarão a solução.

No caso de prefeituras com menos recursos, ele acredita que o primeiro passo deve ser definir as áreas mais importantes e que precisam de retorno rápido. “O administrador pode estruturar e converter dados que já existem, complementando-os com informações que faltam, ou partir para técnicas de coleta de dados de imagem de satélite, caso queira atingir um nível de precisão maior”, diz.

Fonte: Infraestrutura Urbana.

IBGE lança nova base cartográfica em escala 1:250.000

A Base Cartográfica para o território nacional em escala 1:250.000 (BC250), que faz parte do projeto SIGBRASIL, é um projeto pioneiro no Brasil, desenvolvido pelo IBGE. Referência cartográfica para as ações de planejamento, monitoramento e atualização das informações dos recursos naturais do país, a nova escala (em que 1 cm no mapa significa 2,5 km no terreno) possibilita uma visualização muito mais detalhada do que a escala anterior de 1:1.000.000. A BC250 está disponível em formato shape, que permite utilização em programas de sistema de informações geográficas (SIG) no link ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapeamento_sistematico/base_vetorial_continua_escala_250mil.

Na construção da Base Cartográfica, foram utilizados como referência os procedimentos descritos no Manual Técnico de Geociências (nº 12 da série de manuais da Geociências) que pode ser acessado em ftp://geoftp.ibge.gov.br/documentos/cartografia/manual_procedimento_tecnico.pdf. O Manual de Procedimentos Técnicos para Fiscalização, Controle de Qualidade e Validação da Base Cartográfica na escala 1:250.000, produzido pela Coordenação de Cartografia da Diretoria de Geociências do IBGE, visa a orientar a atividade de fiscalização de serviços de mapeamento, padronizando procedimentos, como o preparo de imagens e construção de mapas, garantindo a qualidade do material produzido.

Com os dados das diversas categorias de informação presentes na Base, de forma integrada e totalmente digital, a nova Base Cartográfica 1:250:000 está preparada para integrar a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) em futuro próximo.

O mapa do Brasil mostra a divisão em blocos da Base Cartográfica em escala 1:250.000, disponibilizada para 81% do território nacional (os blocos identificados nas três tonalidades da cor azul estarão disponíveis ao final do ano de 2012). A Base pode ser acessada através do link www.ibge.gov.br/home/download/geociencias.shtm.

Fonte: Dinheiro na Conta.

Especialistas discutem geotecnologias em Sergipe no 6º Geonordeste

Especialistas em geoprocessamento, sensoriamento remoto e áreas afins do Nordeste se reúnem em Aracaju de 26 a 30 de novembro para a sexta edição do Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto (Geonordeste).

O 6º Geonordeste é um evento técnico-científico bienal promovido pela Rede Sergipe de Geotecnologias (Resgeo), e é o principal ponto de convergência de estudiosos da região para discutir os avanços das geotecnologias e promover a troca de experiências profissionais.

Realizado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), o 6º Geonordeste pretende abordar o impacto das geotecnologias na sociedade da informação com o tema “Geotecnologias: socialização e sustentabilidade”.

O objetivo do simpósio é fortalecer a discussão sobre como a sociedade é influenciada pelas geotecnologias e, reciprocamente, como os usuários da Internet estão provocando uma revolução na produção, consumo e apropriação de conhecimento geocientífico sobre a realidade do ambiente em que vivem. Essa condição é essencial para a legitimação da sustentabilidade ambiental preconizada nas agendas internacionais.

A edição deste ano acontece no Hotel Mercure Aracaju, e marca os dez anos desde a realização do primeiro Geonordeste. De acordo com o vice-presidente do evento, o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Julio Amorim, são esperados cerca de 600 participantes, entre pesquisadores, professores, estudantes e profissionais das áreas de agronomia, biologia, cartografia, geografia, geologia e engenharias em geral da Região Nordeste e demais regiões do Brasil.

Inscrições
As inscrições podem ser feitas pela Internet, com formulário disponível em www.vigeonordeste.com.br. Após o preenchimento, basta seguir as instruções para a impressão da fatura e pagamento na rede bancária.

Para inscrição por meio de boleto bancário, basta preencher a ficha disponível no site, efetuar depósito na conta-corrente 1465-4, operação 003, agência 2382, Caixa Econômica Federal, e enviar ficha e comprovante de depósito através do fax (79) 3243-0537. Até 30 de setembro, os valores vão de R$ 80 para estudantes de nível médio a R$ 250 para profissionais. Os preços sofrerão reajustes em 1º de outubro e 18 de novembro.

Submissão de trabalhos
O prazo para submissão de trabalhos vai até o dia 20 de agosto. A taxa de inscrição dá direito à submissão de até três trabalhos, além de crachá, pasta, caneta, certificados e publicação de trabalhos aceitos nos anais do evento.

Fonte: Cenário MT.

Geólogos visitam afloramentos de rochas sedimentares durante treinamento na Chapada Diamantina

O grupo conheceu formações de calcário raso na bacia de Irecê

Pesquisadores em geociências que participam do treinamento em cartografia geológica, que está sendo realizado no Centro Integrado de Estudos Geológicos (CIEG), em Morro do Chapéu (BA), realizaram, nesta terça-feira (17/7), mais uma atividade de campo. Eles visitaram área de lavra de uma mina de fosfato e afloramentos de rochas carbonáticas na formação salitre na bacia de Irecê, e de arenitos, no topo do Morro do Chapéu, que fazem parte da Chapada Diamantina.

O treinamento faz parte do programa de reciclagem dos profissionais que atuam em projetos de mapeamento da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais. “Durante os exercícios de campo os alunos observam o processo de formação, tipo, idade e ambiente das rochas”, explica o geólogo Reginaldo Alves dos Santos, chefe do Departamento de Geologia. A região possui uma grande diversidade geológica permitindo que em um raio de 40 km seja possível conhecer três ambientes de rochas sedimentares.


“Durante visita aos afloramentos selecionados eles desenvolvem habilidades que irão contribuir para o trabalho de mapeamento geológico em suas respectivas unidades”, destaca o geólogo Antônio Dourado, coordenador do CIEG. Segundo Dourado, o centro de estudos passa por um processo de revitalização e deverá receber novas turmas de geólogos da CPRM para treinamento, além de alunos de graduação e pós-graduação de diversas universidades.

Para o geólogo Joaquim das Virgens, que atua em projetos desenvolvidos pela Residência de Teresina, os cursos do treinamento servem não apenas para reciclar, mas também adquirir novos conhecimentos. “Estamos tendo novas visões e conceitos da geologia, com os novos recursos tecnológicos e técnicas”, avalia. Helen Lopes, geóloga da Superintendência de Belém, também compartilha a mesma opinião. “É um resgate de tudo que aprendi na universidade, mas que ainda não havia colocado em prática”, acrescenta Helen.

O grupo de pesquisadores irá integrar projetos piloto, que serão iniciados no segundo semestre, em Goiás, Tocantins, Pará, Mato Grosso do Sul, Piauí, Bahia e Minas Gerais. Durante o treinamento, os participantes estão reciclando o conhecimento em diversas áreas: interpretação geofísica, sensoriamento remoto, geologia estrutural, processamento digital de imagens de satélite, fotointerpretação, estratigrafia e metodologia de mapeamento da CPRM. A última etapa do treinamento será uma expedição à Faixa Sergipana.

Fonte: CPRM.

UFMG e governo federal assinam convênio para subsidiar Plano de Safra

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) assinou, no dia 22 de dezembro de 2011, convênio com a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, para uso das informações geradas pelo Centro de Sensoriamento Remoto da universidade na definição do Plano de Safra do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) de 2012. As informações irão ajudar nas definições de como, o quê, quando e onde plantar, reduzindo riscos climáticos e melhorando o rendimento e produtividade rural do país.

Assinaram o convênio o reitor da UFMG, Clélio Campolina, o subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Sérgio Lima-Braga, e o diretor do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG, professor Britaldo Soares Silveira Filho.

O professor ressaltou a importância deste tipo de parceria. “É importante que a academia, que desenvolve tantas pesquisas, tenha inserção no planejamento das políticas públicas desenvolvidas pelo governo”, afirmou Britaldo Soares.

O Centro de Sensoriamento Remoto, instalado no Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, desenvolve pesquisas em análise e modelagem de sistemas ambientais, incluindo a avaliação de possíveis impactos do clima, biodiversidade, recursos naturais, além do desenvolvimento de modelos de simulação de mudanças do uso e cobertura do solo e suas aplicações para avaliação ambiental e planejamento regional.

Fonte: Agrosoft Brasil.

Nova tecnologia permite mapeamento detalhado das florestas

Sistema de monitoramento desenvolvido pelo Instituto Carnegie para Ciência detecta minuciosamente biodiversidade das florestas, composição do solo e captura de carbono, e pode auxiliar na preservação de ecossistemas.

Já diz uma máxima popular que para preservar é necessário conhecer. Se o ditado for verdadeiro, o novo sistema de monitoramento florestal criado pelo Instituto Carnegie para Ciência, que oferece um mapeamento detalhado para a vegetação, promete ser de grande valia para a conservação da natureza. Resta saber se essa tecnologia será realmente utilizada para ajudar a manter de pé nossas florestas e alimentar nossa esperança de um futuro mais verde.

O Airborne Taxonomic Mapping System (Sistema de Mapeamento Taxonômico Aéreo – AtoMS) foi idealizado por Greg Asner, pesquisador do Instituto Carnegie, a partir Carnegie Airborne Observatory (Observatório Aéreo Carnegie – CAO), e consegue captar imagens individuais de árvores a uma taxa de 500 mil ou mais por minuto, permitindo aos cientistas criar um mapa tridimensional de alta resolução da estrutura física, química e ótica da floresta.

De acordo com Asner, o sistema, utilizado na Amazônia, visa sobretudo medir a biodiversidade das florestas. “A ideia era medir as coisas que os botânicos medem no solo para avaliar a biodiversidade. Não havia tecnologia que pudesse medir cada uma das características que precisávamos, então decidimos unir tecnologias que estavam perto de fazer algumas dessas coisas. Ao longo disso, desenvolvemos algumas tecnologias novas”, declarou o cientista.

Uma dessas tecnologias é conhecida como LiDAR, e é constituída por dois lasers que penetram a vegetação e chegam até o solo, retornando com informações sobre a estrutura florestal. Dependendo da altitude do avião onde o LiDAR é transportado, os sensores podem mapear a floresta com resoluções que variam de 10 centímetros a um metro, o que torna possível analisar detalhadamente a diversidade vegetal.

Além da vegetação, essa tecnologia também é muito eficiente para captar informações sobre a estrutura, elevações e relevos do solo, a biomassa da floresta, bacias hidrográficas e hidrovias e até a quantidade de carbono armazenada na vegetação e no solo.

Mas para identificar as estruturas captadas pelo LiDAR, inclusive aquelas que não podem ser vistas a olho nu, os cientistas precisam conhecer as características e espécies da região rastreada. Para isso, eles utilizam o sensor VSWIR Imaging Spectrometer (VSWIR Espectrômetro de Imagem).

Esse sensor pode detectar dezenas de sinais da vegetação, incluindo as concentrações de pigmentos fotossintéticos, o teor de água das folhas e os compostos estruturais como a lignina, a celulose, o fósforo e outros micronutrientes, que podem ser utilizados para distinguir as espécies de plantas e outras questões relacionadas à condição das florestas.

“Quando as folhas interagem com a luz do sol, os compostos se curvam, esticam e vibram em padrões e taxas diferentes. Essas taxas diferentes levam a diferentes dispersões de luz. Essa é a porta de entrada para entender a química do sistema. Podemos fazer um mapa de onde as árvores estão crescendo mais rápido. O espectrômetro é uma importante descoberta”, explicou Asner.

Porém, para obter esse conhecimento, os pesquisadores precisam primeiro fazer um trabalho de campo para coletar informações sobre as propriedades das plantas e coloca-las em uma base de dados, que alimenta a biblioteca do sistema.

Na Amazônia, a equipe de Asner fez um trabalho de campo para reunir informações de cerca de cinco mil espécies de plantas. “Temos a melhor equipe de alpinistas de árvore do mundo. Eles podem escalar 75 árvores por dia, realizando a amostragem total”, afirmou o cientista.

Com o novo sistema, é possível identificar as características da vegetação de regiões onde o homem não pode chegar, pois a partir das amostras coletadas, é possível verificar a diversidade de espécies em outros locais da Amazônia. “Estamos analisando a biodiversidade em regiões que nunca haviam sido colocadas no mapa da ciência”, diz Asner.

Além de servir para mapear a biodiversidade da região, o novo sistema poderá ajudar a mensurar o armazenamento de carbono na vegetação e no solo – auxiliando o desenvolvimento de programas como a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD) – e a taxa de crescimento da vegetação – contribuindo para o monitoramento de preservação e conservação florestal.

“A floresta que tem solos do Pleistoceno retém 20% menos carbono. A única forma de saber isso é pelo sensor. Visualmente, tudo parece igual visto de cima”, exemplifica Asner. “Com suas capacidades expandidas, o novo CAO nos ajuda a entender a química, estrutura e biodiversidade da floresta. Ele também pode fornecer indicações da saúde florestal – incluindo evidências de estresse hídrico – assim como potenciais ameaças da atividade humana”.

No entanto, para aplicar a nova tecnologia em outras florestas, os cientistas garantem que serão necessários mais estudos. “A diversidade botânica nos dois lugares onde trabalhamos foi muito bem documentada. No entanto, aplicar esse método em uma nova área vai requerer levantamento de dados em campo”, disse Pete Lowry, diretor do Departamento da África e Madagascar do Jardim Botânico Missouri e que trabalhou com Asner em pesquisas anteriores.

Ainda assim, outros estudiosos acreditam que a nova tecnologia pode ser particularmente útil na realização de avaliações biológicas em áreas desconhecidas. “Qualquer ferramenta que dê uma aproximação de primeira ordem sem os altos custos de trazer uma grande equipe de expedição vai ser uma ferramenta valiosa”, argumentou o ecologista Adrian Forsyth, fundador e líder da Associação de Conservação da Amazônia.

Fonte: Envolverde.

Boletim sobre geotecnologias na América Latina e Caribe disponível em português

Os interessados em saber novidades sobre as Insfraestruturas de Dados Espaciais (IDE) já têm ao alcance a versão em português do boletim mensal IDE América Latina e Caribe (SDI-LAC), produzido pelo Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH), para a Associação para Insfraestrutura Global de Dados Espaciais (GSDI, na sigla em inglês). A instituição também tem disponibilizado boletins sobre IDE na África, Ásia e Pacífico.

O boletim IDE-LAC traz informações sobre as IDE, Sistemas de Informações Geográficas (SIG), sensoriamento remoto e administração de dados na América Latina e Caribe. Também busca criar consciência, prover informação útil para o fortalecimento de iniciativas nacionais de IDE e apoiar esforços regionais. O IPGH, entidade membro de GSDI, e o Comitê Permanente para a Infraestrutura de Dados Espaciais das Américas (CP-IDEA) promovem o desenvolvimento de IDE na região.

A versão em português do IDE-LAC teve sua primeira edição entre 2007 e 2009, e agora está sendo relançada, com tradução das publicações de agosto e setembro. Isso aconteceu devido o trabalho de um grupo de voluntários, espalhados pelo Brasil, Estados Unidos e Canadá.

Essa equipe de tradução é formada por voluntários, sob a coordenação de Silvane Paixão, MSc em Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação, PhD em Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial; revisão geral de Eduardo Freitas, editor do MundoGEO, mestrando em SIG; e comunicação geral de Edmilson Volpi, Msc. em Engenharia Urbana, Especialista Ambiental na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Se você tem interesse em receber os boletins mensais da GSDI, acesse o link:
http://www.gsdi.org/newslist/gsdisubscribe

Para Abbas Rajabifard, presidente da GSDI e direitor do Centro para Infraestrutura de Dados Espaciais e Gestão Territorial da Universidade de Melbourne, Austrália, “a informação espacial é uma ferramenta crítica para qualquer tomada de decisões sobre as principais questões econômicas, ambientais e sociais. Informação espacial tem permitido o desenvolvimento de tecnologia e infraestrutura para a sociedade moderna. A crescente necessidade de organizar os dados e serviços através de diferentes disciplinas e organizações resultou no conceito de Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE)”.

Segundo Luiz Paulo Fortes, diretor de Geociências do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), secretário-executivo da Comissão Nacional de Cartografia (Concar) e presidente do CP-IDEA, “atualmente o Brasil se encontra em processo de implantação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) e nesse momento é importante considerar a necessidade de articulação com outras IDEs regionais e estaduais, garantindo a interoperabilidade das informações geoespaciais produzidas e existentes no Brasil e na América Latina”.

INDE
Em 2008, foi instituída, por meio do Decreto 6.666, a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), com o objetivo de integrar todos os dados geoespaciais existentes em diversas instituições do governo brasileiro, para harmonizá-los, disseminá-los e proporcionar o uso efetivo do serviço.

Fonte: Paranashop.

Estação Meteorológica do Ceapla fornece dados ao Inpe

Estação do Ceapla dispõe de equipamentos inseridos na categoria de primeira ordem

O Centro de Análise e Planejamento Ambiental (Ceapla) foi criado em 1989 e se constitui numa unidade auxiliar do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp – campus de Rio Claro. Insere-se no domínio institucional interessado em estudar, avaliar e oferecer subsídios ao planejamento de gestão de problemas ambientais de ordem setorial/ abrangência regional integrada.

Dentre suas funcionalidades, opera com uma Estação Meteorológica, inaugurada em 1993 em convênio com a prefeitura, dentro das Normas da Organização Meteorológica Mundial para a categoria de primeira ordem.

Com duas frentes de trabalho, o Ceapla realiza o mapeamento de questões ambientais na área de abrangência da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí, e fornece dados meteorológicos em projetos de extensão universitária e como prestação de serviços à comunidade.

De acordo com Carlo Burigo, técnico de laboratório, a Estação contribui para o atendimento e antecipação das demandas no que diz respeito à observação, coleta e análise dos principais elementos meteorológicos de superfície, tais como: precipitação pluviométrica, temperatura, umidade relativa, ventos, evaporação e pressão atmosférica.

Nesse sentido, Burigo aproveita para esclarecer que o Ceapla não faz a previsão do tempo. “Apenas coletamos dados que são enviados aos institutos de pesquisas espaciais (Cptec/Inpe). Estes os analisam e utilizam para a previsão em nossa região”, reforça.

Diariamente, são realizadas quatro leituras meteorológicas – às 7h, 9h, 15h e 21h, por fazer parte da Rede de Postos do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo. Sua estrutura dispõe de termômetros, sensores, pluviômetros, tanque de vaporação, entre outros equipamentos para a leitura dos dados.

Todas as atividades do Ceapla envolvem as questões ambientais e sua metodologia de trabalho se apoia nas diferentes técnicas de sensoriamento remoto e nos sistemas informatizados para tratamento digital de dados cartográficos, o que proporciona respostas rápidas e confiáveis. As atividades do Ceapla são conduzidas por meio de linhas de ação bem definidas, no que se refere à pesquisa, ao ensino e à prestação de serviços.

Com uma política de desenvolvimento de recursos humanos adotada pelo Ceapla, hoje seu corpo técnico é altamente qualificado na área de geotecnologias, a partir de conhecimentos de geoprocessamento, sensoriamento remoto, cartografia digital, modelagem ambiental e análise espacial de dados. Destaca-se, também, a qualificação de membros da equipe nas áreas de tecnologia educacional, educação a distância e editoração eletrônica.

Sua área construída é de 850 m2 (Unidade I), onde estão instaladas a administração, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. Possui outro prédio anexo (Unidade II) com área de 240 m2 com a realização de atividades relativas à Educação Continuada, incluindo salas para pesquisadores, sala de projetos e reuniões, seminários, laboratórios e anfiteatro com recursos didáticos e visuais.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (19) 3533-1104. O Ceapla está localizado à Avenida 24-A, 1.515 – Unesp Bela Vista.

Fonte: Jornal Cidade.

Pesquisadores da Geociências pedem mais técnicos de laboratório

Centro de pesquisas tem 11 equipamentos de grande porte, mas poucos servidores com treinamento para operá-los.

Pesquisadores do Laboratório de Geocronologia e Geoquímica Isotópica da Universidade de Brasília (UnB) enumeraram ao reitor José Geraldo de Sousa Junior as dificuldades que têm enfrentado para executar pesquisas. Técnicos especializados para operar equipamentos de até R$ 2 milhões e agilidade para utilizar recursos captados externamente e comprar material básico de pesquisa foram apontados como os problemas mais graves.

Acompanhado da decana de Pesquisa e Pós-Graduação, Denise Bomtempo, José Geraldo percorreu todos os laboratórios que compõem o complexo inaugurado em 2005 e que tem hoje 11 equipamentos, todos com valor acima de R$ 500 mil. As máquinas permitem estudos que vão desde a datação de rochas até a descoberta da origem de materiais como o diamante. Atualmente, os aparelhos são operados por dois técnicos, um de nível superior e outro de nível médio. Além deles, há outros três funcionários, dois do quadro da UnB e um terceirizado, que dão suporte às máquinas.

Segundo o coordenador do laboratório, professor Roberto Ventura, para funcionar adequadamente são necessários 12 técnicos em tempo integral apenas para operar as máquinas. “Esse é o maior gargalo que temos, porque além do número reduzido de pessoal, os equipamentos exigem pessoal com capacitação específica para funcionarem adequadamente”, explicou.

Os pesquisadores pediram também o remanejamento de funcionários da área administrativa do quadro da UnB. “Não temos hoje nenhum técnico da área de apoio. A única secretária que nos atende é paga com recursos próprios”, disse o professor, na visita que teve a participação de 23 dos 25 funcionários, bolsistas e professores do laboratório e do vice-diretor do Instituto de Geociências, Demerval Aparecido do Carmo.

Uma das sugestões apontadas pela decana foi a utilização de bolsas de apoio técnico. “Não é a solução ideal, mas é uma das alternativas que temos para resolver o emergencial”, disse Denise Bomtempo. Ela defendeu ainda a criação de programa de capacitação, talvez até em nível de pós-graduação, para formar técnicos que capazes de lidar com a complexidade que os equipamentos exigem. “A formação de técnicos para operar equipamentos de alto custo é um problema geral em todas as universidades brasileiras. A criação de uma política própria que possa garantir que esse técnico fique até 20 anos em um laboratório é uma das alternativas que a UnB pode adotar”, disse.

Agilidade
Os pesquisadores defenderam também agilidade dos trâmites internos da universidade, especialmente na área de compras. “Às vezes ficamos com um equipamento de R$ 1 milhão parado por seis meses por causa de uma peça de R$ 1 mil. É uma loucura”, citou Ventura.

Eles pediram ainda uma solução para a questão das fundações. Hoje, a UnB não dispõe de fundações de apoio à pesquisa, que viabilizariam a entrada de recursos captados externamente e administração de projetos. “Quase perdemos o recurso por causa da ausência de uma fundação de apoio à pesquisa”, lembrou o professor Elton Dantas. Segundo ele, o laboratório teve de buscar parceria com uma fundação de fora para garantir financiamento de R$ 1 milhão concedido pela Petrobras para a execução de projetos de pesquisa. O reitor José Geraldo esclareceu que o processo de credenciamento da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) está parado no Ministério da Educação.

Os pesquisadores destacaram que o laboratório atende a pesquisadores não só da área de Geociências, mas também da Biologia, Química, Ciências Forenses, Ciências Ambientais, Agronomia, Veterinária, Medicina, além das Engenharias. Tem ainda parceria com 11 universidades federais, oito no exterior e cinco grandes empresas, entre elas a Vale do Rio Doce e a Petrobras. “Sem falsa modéstia, esse é um dos laboratórios mais eficientes do Brasil, mas hoje não conseguimos sequer utilizar os recursos que captamos. Se quebrarmos, a geociência brasileira sofrerá uma pane temerosa”, alertou o professor Reinhardt Fuck.

José Geraldo defendeu uma ação coordenada com o DPP para encontrar mecanismos já existentes na universidade que possam agilizar os processos. A coordenação do laboratório fará um mapeamento com todas as demandas, desde o número de técnicos necessários para operar os equipamentos até a listagem de todos os projetos em execução e a situação e os entraves de cada um. “Precisamos identificar o que já está em execução e como melhorar e o que pode ser potencializado”, sugeriu a decana.

Fonte: Jornal da Ciência.

Mapeando a Costa do Descobrimento

Cartas cartográficas podem subsidiar ações de gestão e de planejamento

Trabalho inédito apresenta em, 20 cartas cartográficas, dados referentes ao Zoneamento Ambiental da região da Costa do Descobrimento, na Bahia, área considerada inicial da formação do território brasileiro. O estudo pretende, através de uma análise geoambiental, detectar problemas e potencialidades da região de forma a subsidiar ações de planejamento e gestão por parte do poder público e da iniciativa privada. O trabalho identificou os principais problemas ambientais e os maiores conflitos referentes ao uso e ocupação das terras.

Entre os conflitos, destaca os oriundos da necessidade de conservação dos biomas de Mata Atlântica, Mangue e Restinga por meio da criação de unidades de conservação – parques nacionais, parques municipais, museus naturais, reservas extrativistas, reservas particulares do patrimônio natural e áreas de proteção ambiental – e a pressão da expansão das atividades produtivas como a silvicultura de eucalipto, a pecuária, a agricultura, as industriais e o turismo de massa.

Outros problemas enfatizados no estudo referem-se à posse da terra das populações indígenas que reinvidicam ampliação e demarcação de novas reservas e as lutas por assentamentos rurais com vistas a uma reforma agrária regional. Por fim, o trabalho propõe zoneamento ambiental para a região integrando áreas de preservação, conservação, melhoramento e reabilitação ambientais e do patrimônio histórico-cultural.

A pesquisa desenvolvida por Raul Reis Amorim, que durante sua realização foi admitido como professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos dos Goytacazes, teve orientação da professora Regina Célia de Oliveira, do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp e coordenadora do Núcleo de Estudos Ambientais e Litorâneos, ligado ao Laboratório de Geomorfologia da Unidade. Ela lembra que quando a tese se iniciou já havia sido realizado o zoneamento da região da Baixada Santista, pois já existia um projeto maior no Departamento que era o do estudo das áreas de ocupação pioneiras do território nacional com o objetivo de estudar como ocorreram suas mudanças de uso e ocupação e quais os impactos daí resultantes. A tese de Raul Reis conclui o zoneamento da Costa do Descobrimento e, atualmente, outro trabalho em andamento envolve a Costa do Cacau.

O Zoneamento Ambiental constitui um instrumento legal de planejamento de ocupação de uma área que deve levar em conta as características de fragilidade e as potencialidades do seu meio físico, suas condições de uso e os impactos daí advindos de modo a definir as melhores opções e possibilidades de ocupação do solo e, considerando as restrições legais, subsidiar ações adequadas dos agentes públicos. Extrapola os planos diretores das cidades porque, abarcando regiões, pode envolver municípios, bacias hidrográficas e geomorfologias.

Um banco de dados cartográficos com 20 mapas apresenta informações referentes aos aspectos naturais como relevo; tipo de cobertura vegetal natural; localização da Mata Atlântica, do Mangue, da Restinga; distribuição dos principais tipos de solos; e feições dos vários tipos de litoral para a partir dessas informações realizar uma caracterização ambiental. Levando em conta as características turísticas e os recursos naturais da região, o trabalho procura potencializar a exploração turística e o desenvolvimento de atividades econômicas apropriadas.

Além do levantamento das características naturais, Amorim analisou aspectos humanos, econômicos, realizou o mapeamento do uso da terra, de como estão organizados os sistemas produtivos, delimitou as áreas indígenas, os assentamentos rurais, e diagnosticou o nível de impacto em relação à ocupação das áreas com altas e baixas densidades democráticas.

Caracterizados os estados ambientais críticos, muito ou pouco alterados, o pesquisador elaborou um mapa final. Nele identifica as potencialidades da Costa do Descobrimento, localizando áreas recomendadas para conservação; para proteção, como as remanescentes da Mata Atlântica; as detentoras de recurso que podem ser explorados de maneira sustentável; as terras indígenas protegidas por lei; as de transformação principalmente ligadas à agricultura, mas que demandam correções; as com graves problemas e que demandam melhoramento; as que precisam ser reabilitadas. Amorim diz que “se trata de um mapa que sugere condições de uso. A ideia foi a de analisar de forma integrada os aspectos naturais e econômicos e propor o que seria ideal para manter a sustentabilidade da região”.

O mapa final da tese, o mais interessante, mostra como se apresenta a região hoje em todos os aspectos naturais e de exploração. Tradicional região cacaueira, maior produtora de mamão do Brasil, fornecedora do coco verde, mantém também plantações de café. Extensivas plantações de eucalipto e enormes pastagens ocupam áreas planas devastadas a partir dos anos 60, com a abertura da BR-101, pela extração descontrolada da madeira, originando desequilíbrios sérios nos ecossistemas. Cerca de 75% da população é urbana e se distribui pelas três principais cidades da região: Porto Seguro, a maior delas e um dos maiores destinos turísticos do País, Santa Cruz de Cabrália e Prado. Nas áreas rurais, a densidade demográfica é baixa.

Conflitos
Não é difícil imaginar que uma área por muito tempo pouco acessível por falta de acessos por terra tenha, nos últimos 50 anos, sofrido uma exploração e ocupação desordenadas, o que indubitavelmente leva a conflitos. Os pesquisadores entrevistados fazem referência aos principais.

Os indígenas discutem na justiça a ampliação de suas reservas, o que gera conflitos porque muitas dos locais reivindicados constituem áreas de proteção, ou são parques ou já estão ocupadas por plantações de eucalipto ou pecuária extensiva.

A professora Regina considera que a quantidade de conflitos é agravada pela grande extensão da área: sejam os problemas indígenas; sejam os relacionados a assentamentos rurais; sejam os de caráter rural que envolvem pecuária e agricultura; sejam os oriundos das indústrias de beneficiamento; atrelados todos eles ao turismo, que se desenvolve em larga escala e de forma pouco disciplinada ao longo da costa e que também traz impactos significativos para uma área com pouco nível de planejamento.

Em um dos mapas apresentados na publicação, Raul Reis Amorim mostra a posição de áreas estáveis como as da Mata Atlântica em que remanescentes de genomas são preservados e que na verdade constituem os parques, nem sempre suficientemente vigiados e controlados. Ele coloca como muito críticas as áreas urbanas, principalmente a maior delas: Porto Seguro. Distingue como críticas as monoculturas de eucalipto e cacau que levam os sistemas à perda de funcionalidade e provocam desequilíbrios por impedirem a proliferação de espécies. Particularmente, os eucaliptos inibem a proliferação de quaisquer espécies e ainda aguardam durante sete ou oito anos o ponto de corte e, quando removidos, as máquinas provocam a compactação do solo. Ele constatou ainda que, de acordo com a legislação, o entorno das áreas de proteção ambiental, particularmente parques, deve manter uma zona de transição em que se desenvolvam atividades que amorteçam o impacto sobre as reservas, o que não ocorre com eucaliptos e pecuária chegando até seus limites.

Realizado em três anos, o trabalho de Amorim recebeu financiamento da Capes e da Fapesp e se valeu de arquivos de universidades e órgãos oficiais que detêm dados sobre a região e utilizou imagens de satélites. Em trabalhos de campo, ele confirmou as informações previamente obtidas.

Consequências
A professora Regina enfatiza a importância do Zoneamento Ambiental que possibilita a visão do todo e da situação ambiental de cada área. Considera que ações deste tipo devem ser orientadas para mitigar os impactos detectados, o que depende da integração de órgãos federais, estaduais e municipais. E como as atividades desenvolvidas envolvem todos os municípios da região, os problemas não podem ser resolvidos no âmbito de cada um deles.

O autor da tese acredita que órgãos federais, estaduais e municipais de posse das sugestões e conclusões apresentadas no trabalho podem facilitar ou impedir novos empreendimentos utilizando critérios sugeridos pelo Zoneamento Ambiental. Para ele, “com base nos resultados do trabalho, os setores públicos e privados podem indicar e utilizar os melhores locais para determinados tipos de atividades e mesmo para a expansão das cidades, para que não ocorram problemas a exemplo das extensivas plantações de eucaliptos ao longo da BR-101, que determinam a chamada monotonia da paisagem”.

Conclusões
Os resultados do Zoneamento Ambiental da Costa do Descobrimento revelam uma população de apenas 185 mil habitantes distribuídos por um território que ocupa 7. 552,5 km2 em uma região em que as atividades econômicas apresentam grande diversidade com destaque no setor primário para a pecuária extensiva, a produção agrícola de coco-da-baía, mamão, café, cacau e cana- de-açúcar. A partir de 1990, surgem atividades ligadas ao cultivo do eucalipto e produção de celulose, além do fortalecimento crescente do turismo.

O trabalho destaca a desproporcionalidade entre as áreas em que predominam os geossistemas com parte dos seus atributos naturais preservados e/ou conservados e as áreas em que prevalecem elementos antrópicos. As áreas ainda não protegidas por mecanismos legais, como as encostas florestais, vegetação de Restinga e de Mangue, apresentam forte tendência a transformações ambientais decorrentes do crescimento populacional, da expansão urbana, da inserção de culturas agrícolas, plantio de pastagens ou eucalipto e da utilização de recursos naturais. A área distingue-se ainda pela fragilidade ambiental porque muito plana durante as chuvas dá origem a grandes inundações e deslizamentos de terra nas escarpas litorâneas. Publicação Tese: “Análise geoambiental como subsidio ao planejamento do uso e ocupação da Zona Costeira da Região Costa do Descobrimento (Bahia)” Autor: Raul Reis Amorim Orientadora: Regina Célia de Oliveira Unidade: Instituto de Geociências (IG).

Publicação
Tese: “Análise geoambiental como subsidio ao planejamento do uso e ocupação da Zona Costeira da Região Costa do Descobrimento (Bahia)”
Autor: Raul Reis Amorim
Orientadora: Regina Célia de Oliveira
Unidade: Instituto de Geociências (IG)

Fonte: Jornal da Unicamp.

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